O Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no Recife, recebe, na próxima segunda-feira (11.03) a primeira sessão de 2019 do Cinema no Hospital, projeto gratuito que discute temas delicados com pacientes, acompanhantes e funcionários por meio da arte. Para abrir os trabalhos deste ano, será exibido o longa O Organismo (2017), dirigido pelo cineasta baiano radicado em Pernambuco Jeorge Pereira. O filme, que ainda não estreou no circuito comercial, conta a história de Diego (Romulo Braga), um jovem tetraplégico que busca novos alicerces para uma vida que inicia na aceitação de sua condição física. A programação acontecerá, a partir das 9h, no auditório do 6º andar da unidade de saúde, localizada no bairro de Casa Amarela. 

Além de enfrentar os desafios de não ter mais os movimentos do corpo, o jovem protagonista ainda precisa lidar com a morte repentina de sua mãe. O longa perpassa por problemas existenciais profundas, passando por religião a questões de gênero. “Para iniciar o ano, tentamos levar o maior número de funcionários da equipe do Agamenon Magalhães. Por isso, queríamos um filme que sensibilizasse as pessoas que trabalham na área de saúde e lidam, diariamente, com o sofrimento humano”, pontua a psicóloga Isabela Cribari, idealizadora do projeto, que completa, em 2019, oito anos de existência. O diferencial para este ano é que todos os programas de Residência do hospital foram convidadas a participar das sessões, que funcionarão como atividades de educação permanente em saúde. 

Geralmente as exibições contam com bate-papos com o elenco dos filmes, que tratam com os participantes as reflexões incitadas com as tramas exibidas. Nesta edição, não será diferente. Quem participará do debate é o próprio Jeorge. “É fundamental que o cinema ocupe outros lugares além do espaço tradicional. Por isso, o projeto Cinema no Hospital tem um apelo social muito forte. Outro ponto que chamou minha atenção são as minhas experiências. Sempre fui paciente, tanto quando acompanhava minha mãe, que era enfermeira, no trabalho, como nas internações médicas por quais passei. Todo o entretenimento que se possa levar para o ambiente hospitalar é de suma importância”, comenta Jeorge, que, ainda pequeno, foi diagnosticado com poliomielite. A deficiência física foi uma das sequelas que acometeu o cineasta.

A capacidade de reinvenção do ser humano deve ser o ponto principal da discussão. “O filme trata de questões muito complexas e, principalmente, do potencial que o ser humano tem de se reinventar. É um longa existencial em sua essência”, reforça Jeorge Pereira. O filme já rodou o país, marcando presença em importantes festivais de cinema. No 11º Festival de Cinema de Triunfo, em 2018, levou cinco prêmios, entre eles o Melhor Longa Metragem da Mostra Competitiva Nacional.

No cronograma deste ano, o projeto deve focar em outras questões importantes e bastante atuais, como suicídio, paternidade e refugiados. O Cinema no Hospital teve início no Hospital Barão de Lucena, em 2011 e desde agosto de 2016 é realizado mensalmente no HAM. Já foram exibidos filmes para discutir temas como autismo (A céu aberto), relação médico e paciente (WIT – Lição de Vida), cuidados paliativos (Uma passagem para Mário), questões sobre maternidade (Mãe só há uma) e sobre relações sociais e familiares (Que horas ela volta?).