O Hospital Dom Malan/IMIP de Petrolina buscando prestar uma assistência de qualidade aos seus usuários procura constantemente a atualização dos seus profissionais e dos protocolos de cuidado à saúde que guiam o serviço. Nesta semana, por exemplo, foi a vez da atualização do protocolo de SEPSE, que existe desde 2014. 

Para isso, a direção se reuniu com a equipe de saúde voltada à assistência da mulher e todos puderam dar a sua contribuição de acordo com a experiência vivenciada em cada setor. As recomendações contidas no protocolo são baseadas nas diretrizes da Campanha Internacional de Sobrevivência à SEPSE e visa o tratamento de pacientes das unidades de internação e de terapia intensiva. 

Por se tratar de um documento médico-científico, o protocolo não é engessado e necessita de reavaliações periódicas, visto que a medicina é uma ciência em constante evolução. “Temos o nosso protocolo há quatro anos e vira e mexe precisamos atualizá-lo com relação às novidades relacionadas à SEPSE ou às demandas do próprio serviço. Isso é algo natural, rotineiro e que contribui significativamente com a assistência”, defende o coordenador médico da UTI obstétrica, Álvaro Pacheco. 

“Na reunião de ontem nós discutimos como é feito o diagnóstico, a condução dos casos e onde a gente pode evoluir, seja com relação a um instrumento novo que precisa ser desenvolvido, ou melhorando a agilidade e indicação dos exames laboratoriais, e até mesmo com relação à atitude das equipes no intuito de abreviar o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento”, esclarece.

Na avaliação do médico o resultado foi o melhor possível. “Tivemos um conteúdo clínico muito rico e sentimos um grande potencial de articulação entre os setores, envolvendo inclusive a direção. As contribuições para o aperfeiçoamento da condução dos casos de SEPSE no serviço foram muito grandes”, considera. 

Sobre a SEPSE, Álvaro destaca que ela pode ser definida como uma resposta inflamatória sistêmica a uma doença infecciosa seja ela causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. 

A SEPSE, na sua maioria das vezes não tem a ver com uma suposta condução do serviço inadequada, estando mais relacionada a uma resposta exagerada do organismo a uma infecção. A gestante tem uma propensão muito maior às infecções, pois a gravidez diminuiu as defesas da mulher, mas as respostas à infecção e ao tratamento dependem de cada organismo. Muitas vezes a mulher apresenta germes na urina e não desenvolve uma infecção, em outros casos esses mesmos germes podem causar uma infecção e esta se generalizar. 

“Por isso a equipe precisa estar atenta. O Diagnóstico é muito baseado no treinamento e na clínica. Então, mesmo tendo alguns exames que possam ajudar, o ideal é que a avaliação do profissional de saúde leve em consideração as alterações de padrão. Febre, olho amarelado, agitação, sonolência, batimento cardíaco acelerado e alterações na respiração e no estado de consciência podem ser sinais de infecção e, nesse caso, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Os sinais de anormalidade em gestantes, por exemplo, podem ser observados desde o pré-natal, com o tratamento devendo ser iniciado nos postos de saúde”, destaca. 

Para finalizar, o coordenador da UTI obstétrica lembra que entre os fatores de risco à SEPSE está o parto cesárea: “A cirurgia por si só aumenta muito o risco de infecção pós-parto, seja pela ferida operatória ou pela costura do útero. Por isso, o Dom Malan busca priorizar sempre o parto normal, até porque esta via de parto é a preconizada pelo Ministério da Saúde”. Sobre a atualização do protocolo ele espera que seja “um instrumento vivo dentro do hospital”.