Seguindo as diretrizes da Coordenação Estadual das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), pautadas na promoção global do cuidado humano e visão ampliada do processo saúde-doença, a equipe da atenção primária prisional atuante na Unidade Prisional de Tacaimbó, município no Agreste pernambucano, vem desenvolvendo um importante trabalho no local. Os idosos privados de liberdade que cumprem sentença na unidade estão passando por sessões de acupuntura, terapia milenar chinesa caracterizada pela aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo para tratar diversas patologias. Implementada no começo deste ano, a iniciativa já vem mostrando resultados promissores. 

No total, oito idosos, dos mais de 530 reeducandos, apresentaram condições que podiam ser tratadas por meio da acupuntura. "Os pacientes relatam melhora em diversos sintomas psíquicos, como insônia e ansiedade. Alguns sintomas físicos também foram atenuados. Um dos idosos, diagnosticado com doença cardiovascular, sofria com o desconforto causado por um edema significativo na perna esquerda. Após as primeiras sessões, o inchaço na região diminuiu consideravelmente", conta a apoiadora técnica.

O trabalho é feito por uma das profissionais da equipe que também tem formação em acupuntura. Estão sendo utilizados os seguintes métodos: auriculoacupuntura, cone hindu e acupuntura com agulhas. "Para a demanda dos idosos que estamos trabalhando na unidade prisional de Tacaimbó, essas três técnicas da acupuntura são as mais fáceis de aplicar nos encontros e as que apresentam resultado em menos tempo", explica a acupunturista responsável, Márcia Teodósio. 

Antes de iniciar o tratamento com acupuntura, os reeducandos participaram de encontros com a equipe de atenção primária prisional, composta por cerca de dez profissionais. Todos foram orientados sobre os métodos utilizados, principais recomendações e benefícios da acupuntura. Para garantir os efeitos da técnica, os idosos precisam passar por, pelo menos, dez sessões. "Essa quantidade de sessões é o que precisamos, no mínimo, para fechar o quadro clínico do paciente, com melhora ou até cura dos sintomas", pontua Márcia. 

FITOTERAPIA - Um trabalho desenvolvido pelos próprios reeducandos está se tornado um importante aliado nas ações articuladas pela Saúde Prisional da unidade de Tacaimbó. No local, há uma horta medicinal, onde são cultivados mais de dez tipos de ervas medicinais, como a erva cidreira e a hortelã. O grupo responsável pelo cultivo das plantas passou, inclusive, por treinamento com o Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa-PE).

Das plantas extraídas da horta, a equipe faz infusões e outras preparações para tratar sintomas relatados pelos reeducandos, como pressão alta. A técnica faz parte da fitoterapia, recurso terapêutico integrante da PICS, que estuda as plantas medicinais e as usa no tratamento de doenças.