Permitindo uma visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são consideradas um conjunto de ações de prevenção, diagnóstico e tratamento fora do modelo médico dominante. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos que envolvem abordagens de cuidado por meio de recursos terapêuticos diversos, mas que não substituem o tratamento tradicional.

Em Pernambuco, 120 cidades ofertam algum tipo de prática, o que corresponde a 65% dos municípios pernambucanos. Os atendimentos ocorrem em 443 estabelecimentos de saúde da Atenção Primária, principal porta de entrada para o SUS. Só em 2017, foram ofertados quase 15 mil atendimentos individuais e cerca de 5 mil coletivos, alcançando 111,5 mil pernambucanos.

Para dialogar sobre o tema e apresentar as experiências exitosas realizadas no Estado, a Secretaria Estadual de Saúde (SES), Ministério da Saúde (MS), Comitê de Equidade e Educação Popular em Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Secretaria de Saúde do Recife promovem, nesta quarta-feira (15.05) no auditório da SES, no bairro do Bongi, das 8h às 17h, o 1º Encontro Estadual das PICs: Um Novo Olhar para o Cuidado em Saúde.  

"O Brasil é referência mundial nesta modalidade, que tem o objetivo de evitar que as pessoas fiquem adoentadas. Além disso, quando necessário, as PICS também podem ser usadas para aliviar sintomas e tratar pessoas que já estão com algum tipo de enfermidade. Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares", comenta a coordenadora das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) da SES, Silvana Monteiro.

A paciente Claudilene Santana, 50 anos, frequenta o Serviço Integrado de Saúde (SIS) da UFPE, onde realiza sessões semanais de biodança e consciência corporal. "Apresentei melhoras significativas na coluna, nas dores das pernas e do corpo. As atividades proporcionam exercícios de alongamento utilizando técnicas da ioga, por exemplo, e ajudou também na superação de um trauma recente", conta a paciente, que realiza os atendimentos desde 2013.

Em Pernambuco, para a efetiva implementação de ações em PICs, a SES instituiu no seu organograma a Coordenação Estadual das Práticas Integrativas, a qual vem articulando a implantação e implementação dessa Política no Estado.

"As PICs vem caminhando na sua legitimação como prática dentro do ordenamento institucional das políticas públicas de saúde na rede SUS, sendo de fundamental importância fortalecer estratégias e debates que permitam dar visibilidade às suas ações. Por isso, a importância deste encontro reunindo várias instituições e atores que trabalham ou promovem as práticas integrativas dentro dos territórios e das Políticas de Saúde", ressalta Silvana. 

Dados - De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, 8,2 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) ofertaram alguma das PICS, o que corresponde a 19% desses estabelecimentos. Essa oferta está distribuída em 3.018 municípios, ou seja, 54% do total, estando presente em 100% das capitais por iniciativa das gestões locais. Em 2016, foram registrados oferta em PICS em 2.203.661 atendimentos individuais e 224.258 atividades coletivas, envolvendo mais de 5 milhões de pessoas.