Dois profissionais que coordenam áreas importantes no Hospital da Restauração (HR), maior emergência de Pernambuco, ministraram, na manhã desta quarta-feira (08.05), no auditório da Secretaria Estadual de Saúde (SES), de capacitação voltada para profissionais da rede assistencial do Estado. O médico endoscopista, Admar Borges, e o cirurgião plástico, Marcos Barretto, falaram sobre hemorragia digestiva e o atendimento ao paciente queimado. A média de atendimentos para o procedimentos no tratamento da hemorragia gira em torno de 2.400 por ano. Já para o serviço de queimadura, a média é de 3 mil/ano, gerando mais de 1 mil internações. Na área, por ano, a média de procedimentos com anestesia chega a 8 mil. O HR também é referência em neurocirurgia, traumato-ortopedia, clínica médica, neurologia e cirurgia geral. 

A queimadura é caracterizada por uma lesão no tecido resultante da exposição a chamas ou líquidos quentes, contato com objetos quentes, corrosivos químicos ou radiação, além de contato com corrente elétrica. Para a plateia, formada por profissionais que atuam na Rede de Urgência e Emergência do Estado, o chefe da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do HR e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), Marcos Barretto, chamou a atenção para os dados epidemiológicos do Brasil. “Em nosso país, estima-se que ocorrem 1 milhão de acidentes com queimaduras por ano, e cerca de 2/3 deles acontecem no ambiente domiciliar. O principal agente causal é o líquido ou alimento aquecido”, destacou.  

O especialista, que chefia o setor há 30 anos, destacou também o perfil dos pacientes admitidos na unidade. Barretto divide em duas vertentes: adultos e crianças. “A queimadura infantil se apresenta numa grande quantidade de casos de escaldadura, utilização do álcool para cozinhar e queimaduras elétricas. Já nos adultos as causas se duvidem em incêndios, tentativas de suicídio, utilização do álcool, gasolina e acidentes de trabalho por meio de queimaduras elétricas, muitas vezes ligados a construção civil”, contou.  

No serviço, referência no país pra o tratamento do paciente queimado, a média de permanência hospitalar é de 14 dias para o adulto, geralmente com perfil de lesão mais grave, e 6 dias para os pacientes pediátricos. “No HR recebemos pacientes com lesões extensas, consequentemente mais graves, e que necessitam de maior tempo de internação na instituição. São eles também que apresentam mais risco de sequelas. Entre as mais comuns estão as retrações cicatriciais e a perda parcial de membros, como dedos, mão, braço, perna e pé. Em casos extremamente graves, o paciente pode vir a óbito”, concluiu.  

Considerado um das melhores serviços do País, o setor de endoscopia do Hospital da Restauração funciona 24 horas e atende grande quantitativo de pacientes com perda de sangue pela mucosa, revestimento interno do trato digestivo, que compreende a área do esôfago até o reto. Em sua explanação, o chefe da endoscopia do HR, Admar Borges, traçou o perfil dos pacientes que chegam à unidade e o tratamento para os casos de hemorragia digestiva.  

 

“Por ano, realizamos 2.400 procedimentos endoscópicos para o tratamento da hemorragia digestiva. São pacientes com varizes de esôfago, por conta de esquistossomose, ou secundárias a hepatite C. Outra causa frequente também se dá pelo uso de anti-inflamatório não hormonal, medicamentos usados para dor, artrite e artrose, comum serem utilizados por idosos e em casos de automedicação. A forma indiscriminada no uso desses medicamentos acaba agredindo a mucosa, que por sua vez, leva a gastrite hemorrágica e a úlcera hemorrágica. O tratamento é inicialmente clínico e medicamentoso, com uso de antiácidos venosos, e transfusão sanguínea em casos que há uma perda importante. O segundo passo é o tratamento endoscópico, e hoje, bem menos comum por conta do avanço na área de endoscopia, também temos o procedimento cirúrgico”, pontuou.