A reunião médico-científica, do qual o Hospital Dom Malan/Imip de Petrolina e mais 10 instituições de saúde e ensino do país fazem parte, discutiu este mês de dezembro o tema “abortamento de repetição”. Por definição, o aborto é considerado a perda fetal antes de 22 semanas de gestação ou a perda de um feto com peso inferior a 500g. O aborto espontâneo é uma fatalidade comum, que acomete de 15 a 25% das mulheres que engravidam. Já o aborto de repetição é a situação na qual o casal experimenta três ou mais perdas gestacionais. Se a mulher tem mais de 35 anos, dois abortos em sequência já podem indicar um problema.

Situações como essa podem representar uma das maiores frustrações da vida reprodutiva de um casal. Mesmo sendo um fato bastante comum nas gestações iniciais, merece um tratamento médico específico e, muitas vezes, um acompanhamento psicológico. “Essas são pacientes que requerem uma assistência diferenciada, geralmente em centros especializados, para que seja oferecido um tratamento adequado diante das possíveis causas identificadas”, ressalta o especialista em medicina fetal do HDM, Marcelo Marques.

Entre estas possíveis causas do abortamento de repetição podem estar: idade materna acima dos 40 anos; anomalias cromossômicas; alterações metabólicas e obesidade; alterações uterinas; trombofilia e doenças autoimunes.

“As perdas gestacionais mais precoces, ou seja, até o 2º ou 3º mês de gestação, geralmente estão relacionadas a problemas com o bebê, como doença genética ou malformação grave. Existem também as causas maternas que estão mais ligadas às doenças imunológicas, ou outras doenças, como diabetes e disfunção da tireoide”, acrescenta o médico.

O Dom Malan recebe pacientes da rede que são referenciadas. “Elas são acompanhadas no ambulatório de ginecologia, onde é feito o atendimento inicial nesses casos. Aqui também as pacientes podem contar com os serviços de diagnóstico, onde podemos lançar mão de ultrassons, exames laboratoriais e o serviço de histeroscopia, que é algo novo, recentemente implantado”, informa Marcelo.

Sobre a discussão do tema, de interesse público e coletivo, apresentado na reunião que é liderada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o especialista destaca: “Fazer parte desse grupo de estudo é uma honra e um mérito alcançado pelo HDM. Os encontros mensais, por meio de videoconferência, são sempre muito bons e nos trazem coisas novas, deixando o nosso serviço nivelado aos grandes centros do país”.