Nos últimos anos, o Estado de Pernambuco tem conquistado diversos avanços nas áreas de atenção e assistência a população de Lésbicas, gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTs). Somos o primeiro Estado do nordeste a possuir uma Política Estadual de Saúde Integral de LGBTs. Este mês, diversos representantes de serviços e gestores estaduais foram convidados a participar de um curso de simulação realística oferecido pelo Hospital Israelita Albert Einstein como parte do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) do Ministério da Saúde. No curso, realizado em 11.10, os participantes foram estimulados a praticar e discutir as habilidades comportamentais presentes no atendimento a população LGBT, além do fortalecimento dos princípios básicos de cidadania preconizados pelo SUS, com foco no atendimento humanizado. 

O curso faz parte do Projeto Saúde Trans - Qualidade e Segurança na Atenção e Cuidado a Saúde de Travestir e Transexuais. No primeiro semestre deste ano, representantes da coordenação de Atenção à Saúde LGBT da Secretaria Estadual de Saúde (SES) foram convidados pelo Einstein para apresentar o processo de ampliação da saúde voltada para esta população, com foco na pessoa trans, que Pernambuco vem desenvolvendo em todas as regiões do Estado.  

“Diferente de outros Estados, Pernambuco é o que possui o maior número de equipamentos que trabalham, atendem e acolhem a população LGBT. Temos, além dos espaços ambulatoriais que são habilitados pelo Ministério da Saúde, a exemplo do Hospital das Clínicas. No âmbito municipal temos serviços em diversas cidades como Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Passira e Ipojuca. Possuímos também comitês técnicos regionais nas cidades de Ouricuri e Serra Talhada. No Hospital da Mulher, na capital, também há um serviço voltado ao atendimento dessa população”, afirmou o coordenador de Atenção à Saúde LGBT da SES, Luiz Valério.  

“Queremos ampliar a rede de cuidado e de atenção integral a saúde LGBT no Estado e poder participar de iniciativas como as do Einstein nos proporciona enriquecimento no cuidado diante do processo transexualizador do SUS”, completou o coordenador.    

 

As aulas foram ministradas pelos médicos, Giancarlo Spizzirri, que explanou sobre neurociência e psiquiatria; Salete Monteiro, da Coordenadoria Regional de Saúde Centro de São Paulo e especialista em envelhecimento da população LGBT. Já o panorama atual do atendimento médico a população trans ficou a cargo da médica Ana Paula Becker.  As simulações foram realizadas por atores que encenaram as diversas situações encontradas no âmbito do atendimento e realização de procedimentos voltados para população LGBT.  

Representando o Estado na atualização estavam as diretoras de Assistência Regional, Carolina Lemos, e de Políticas Estratégicas, Mayra Ramos, além da superintendente assistencial, Andrea Franklin, representando a SES, e as gerentes das Gerências Regionais de Saúde de Caruaru e Serra Talhada, Maria Aparecida de Souza e Karla Millene, assim como representantes dos hospitais regionais do Agreste (HRA) e Professor Agamenon Magalhães (Hospam).  

Diversos serviços municipais também participaram do curso como os representantes da coordenação e equipe técnica de atenção primária e de Saúde LGBT de Caruaru e do Recife. Entre os centros especializados e serviços ambulatoriais: Espaço de Acolhimento e Cuidado às Pessoas Trans e Travestis do Hospital das Clínicas, o Ambulatório LGBT Patrícia Gomes, pertencente à Policlínica Lessa de Andrade e do CISAM com Espaço de acolhimento da população trans e o Ambulatório Darlen Gasparelli, localizado em Camaragibe, e o laboratório LBT do Hospital da Mulher do Recife.  

INICIATIVAS – Pernambuco conta com normativa instituída pela Secretaria Estadual de Saúde que instrui sobre o uso do nome social nos serviços de saúde. O nome social deve estar presente em todos os registros dos Serviços da rede Pública de Saúde como fichas de cadastro, formulários e prontuários, e deverá ser colocado por escrito, antes do respectivo nome civil, que deverá estar entre parênteses em letras menores.

Entre outros avanços, com aporte da Política Estadual de Saúde Integral da População LGBT, está à determinação da inserção das variáveis de orientação sexual e identidade de gênero nas fichas de notificação de violência; a ampliação dos Comitês Técnicos de Saúde LGBT nas Geres e o processo de interiorização da Política Estadual.