Desde a década de 1990, com a criação do Outubro Rosa, este mês é voltado para promover informações e conscientização sobre o câncer de mama. Em Pernambuco, essa é a neoplasia que mais mata o público feminino, com 785 óbitos em 2017, o que representa 17% do total de todos os tipos de cânceres. Para evitar esse tipo de ocorrência, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) reforça a importância do autoexame e da realização das mamografias em tempo oportuno, além do diagnóstico e tratamentos precoces da doença, que dão mais chances para a cura.

No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) recomenda o rastreamento do câncer de mama por meio da mamografia para mulheres dos 50 aos 69 anos. Não havendo alteração, a orientação é que um novo exame seja realizado em um intervalo de 2 anos. Já para aquelas consideradas como pacientes com alto risco para a doença, recomenda-se realizar anualmente, além da mamografia, o exame clínico das mamas. Para mulheres a partir dos 40 anos, a orientação é a realização anual do exame clínico das mamas e, em caso de alteração nesse, a paciente deve submeter-se à mamografia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 2,6 mil casos novos de câncer de mama são esperados por ano em Pernambuco.

Em Pernambuco, no primeiro semestre deste ano, mais de 86,9 mil mamografias foram realizadas no SUS. Considerado de baixa complexidade, o exame deve ser ofertado prioritariamente pela Atenção Primária dos municípios, contudo, desde 2012, a SES-PE complementa a rede. Em 2018, os serviços municipais foram responsáveis por 74% dos exames, enquanto o Estado fez os 26% restantes. O percentual do Estado ainda poderia ser maior caso os municípios utilizassem as vagas que lhe são ofertadas por meio da Central de Regulação Ambulatorial da SES-PE. 

Pelo Estado, há oferta de mamografia em serviços hospitalares com marcação direta e as que são ofertadas aos municípios pela Regulação. Das 22,5 mil vagas reguladas para as cidades de todas as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres) entre janeiro e junho deste ano em clínicas conveniadas, apenas 12.458 foram agendadas (55%). Contudo, apenas 8,6 mil foram efetivamente realizadas (representando 38,4% do total). Ou seja, 13,8 mil exames não foram realizados no primeiro semestre. Além das clínicas conveniadas, a Regulação também faz o agendamento para os municípios nas Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs).

"No Sistema Único de Saúde (SUS), as mamografias de rotina fazem parte dos serviços prestados pela Atenção Primária, gerida pelos municípios. Mesmo assim, o Estado também oferta o exame em seus serviços próprios e em clínicas credenciadas em todas as 12 Geres, para que as pacientes do Sertão, por exemplo, não precisem se deslocar para outros centros urbanos. Essa complementação é importante para dar acesso às mulheres, que precisam, a partir dos 50 anos, colocar esse rastreamento em sua rotina, já que sabemos que o diagnóstico precoce do câncer de mama é essencial para o sucesso do tratamento e para evitar óbitos", afirma o secretário estadual de Saúde, André Longo. O gestor ainda ratifica a importância dos municípios utilizarem as vagas ofertadas via Regulação para evitar o deslocamento das mulheres e a sobrecarga em unidades de referência, principalmente na capital pernambucana.

SINTOMATOLOGIA: De acordo com a gerente de Atenção à Saúde da Mulher da SES-PE, Letícia Katz, as mulheres devem ficar atentas a nódulos ou endurecimento da mama, mudança nos mamilos ou na coloração da pele, nódulos no pescoço ou axila e saída espontânea de líquido pelo mamilo. "É importante que a mulher faça o autoexame para, caso note uma alteração, procure o serviço de saúde. Também por meio do exame clínico, feito pelo médico ou enfermeiro, pode se detectar possíveis tumores. Nesses casos, o serviço de saúde fará o encaminhamento para uma unidade de referência", destaca a gestora, que é médica ginecologista.  

AÇÕES INTEGRADAS: Como uma das estratégias para qualificar o modelo de atenção à saúde em Pernambuco, com foco na melhoria da rede de atenção obstétrica e neonatal e no controle de casos de câncer de colo de útero, o Governo do Estado, por meio da SES-PE, selou, em julho deste ano, um termo de cooperação técnica com a Organização Pan-Americana de Saúde - organismo da Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS). O acordo, cuja duração será de cinco anos, podendo ser prorrogado por mais cinco, prevê metas e ações para a redução da taxa de mortalidade materna e prevenção desse tipo de neoplasia. Ao todo, o investimento na estratégia, que passará pelas etapas de diagnóstico (atual), intervenção e monitoramento, é de R$ 5,5 milhões.

Na rede de atenção obstétrica e neonatal, busca-se qualificar e reforçar o planejamento familiar, o pré-natal, a vinculação das gestantes a uma maternidade de referência, boas práticas na assistência ao parto e atenção durante o puerpério. Entre as metas desse eixo, ampliar a oferta de inserção do dispositivo intrauterino (DIU) e reduzir a taxa de mortalidade materna para 35 óbitos por cem mil nascidos vivos até 2022. Para alcançar os objetivo, está sendo realizado um amplo estudo sobre a situação atual para, posteriormente, realizar capacitações de 2 mil profissionais das redes básicas de saúde.  

Já as metas para prevenção ao câncer de colo do útero, doença que leva ao óbito em torno de 360 mulheres por ano em Pernambuco, são por meio de intervenções para melhorar os atuais indicadores e atingir, até 2022, cobertura mínima de 80% nos grupos prioritários da vacina contra o HPV; aumentar a cobertura do exame citopatológico nas mulheres na idade preconizada (25 a 64 anos); além de garantir o tratamento das lesões precursoras do câncer de colo por meio de cirurgia de alta frequência (CAF) para todas as mulheres com indicação médica. "Nós temos acompanhado o esforço das nossas equipes para firmar o termo de cooperação com a Opas. Agora, nossa principal preocupação é organizar os trabalhos para otimizar a mobilização, harmonizando tudo o que já é feito no Estado com as ações do projeto", ressalta o secretário estadual de Saúde, André Longo.

A atuação da Opas/OMS contará com consultores internacionais e nacionais que apoiarão os processos de transferência de experiências e conhecimentos, e irão capacitar profissionais e gestores pernambucanos em todas as regiões do Estado. Ainda este ano, as equipes realizarão o diagnóstico da rede de saúde obstétrica e da demanda e oferta da linha de cuidado da prevenção do câncer de colo de útero no Estado, para aumentar o impacto e a efetividade das intervenções. Também serão realizados encontros mensais com a participação das 20 maiores unidades da rede materno-infantil do Estado para monitoramento da gestão dos leitos em articulação com a Central de Regulação do Parto. 

CONTRACEPTIVO: Na próxima terça-feira (08.10), das 14h às 17h, no auditório do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no Recife, ocorre capacitação voltada para profissionais de saúde sobre a inserção do dispositivo intrauterino (DIU). O objetivo da capacitação é atualizar os médicos envolvidos na inserção do dispositivo e que atuam na Atenção Primária e na Assistência Ginecológica e Obstétrica, tornando-os aptos para executar o procedimento, ampliando, assim, o número de serviços de referência para esse método contraceptivo. As inscrições devem ser realizadas pelo http://bit.ly/2oWfwDi.

Entre os temas que serão abordados estão métodos contraceptivos, indicações e contraindicações dos dispositivos intrauterinos, a técnica de inserção do DIU de cobre pós-parto, pós-abortamento e de intervalo, além da identificação das complicações imediatas e tardias dos DIUs. Em três anos, entre 2015 e 2018, houve um aumento de 860% no número de DIUs inseridos nas unidades da rede pública de saúde, saindo de 519 dispositivos em 2015 para 4,9 mil, em 2018.

"Para continuarmos a implementação deste método contraceptivo necessitamos capacitar mais profissionais da rede municipal e estadual de Saúde de Pernambuco. Esta ação faz parte do planejamento familiar, direito de todo cidadão, além de ser considerado um método eficaz, prático, de longa duração e que não interfere nas relações sexuais, satisfazendo as necessidades contraceptivas", pontua a gerente de Atenção à Saúde da Mulher da SES-PE, Letícia Katz. O DIU pode ser inserido em pacientes não grávidas, no período pós-parto e pós-abortamento.