Até o mês de agosto deste ano, as unidades hospitalares de Pernambuco notificaram 376 mortes encefálicas. Contudo, apenas 87 casos resultaram em doação de órgãos, um percentual de 23,1% do total. O dado e suas causas são alarmantes para a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE). O principal motivo para a não doação foi a negativa familiar, o que ocorreu 128 vezes (24%). Entre as alegações, estava o desejo de ter o corpo do parente íntegro para o enterro, a afirmativa que o potencial doador era contrário em vida e que a família acredita na reversão do quadro.
 
Para mudar esse quadro, a CT-PE realiza ações educativas nos hospitais da Restauração e no Pelópidas Silveira, nesta segunda (22/09) e quarta-feira (24/09), respectivamente, ambas às 9h, para conscientizar os profissionais de saúde da importância do diagnóstico correto e da notificação da morte encefálica. Os técnicos da Central irão percorrer setores como a emergência e a UTI para fazer a sensibilização. Na quinta-feira (25/09), ainda haverá um curso com estudantes de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para explicar como comunicar a morte aos familiares e trabalhar o convencimento para a doação de órgãos. 
 
“A morte encefálica do paciente significa a morte da pessoa, apesar do coração ainda bater por algumas horas. O quadro é irreversível e o diagnóstico segue um rígido protocolo – um dos mais avançados do mundo. Além de prepararmos as equipes médicas para identificar essa situação, precisamos disseminar entre a população o significado desse tipo de morte e como ela pode se transformar beneficamente para alguém que está na fila de espera por um transplante”, afirma a coordenadora da Central de Transplantes, Noemy Gomes.
 
Segundo a coordenadora, é essencial que a população saiba o que é a doação de órgãos e se coloque na pele de alguém que precisa do transplante para continuar vivendo. Hoje, de acordo com a legislação brasileira, a doação é consentida apenas por familiares de até segundo grau. Só eles podem assinar a autorização para doar. “Em nossas campanhas, alertamos da importância de se comunicar à família que se quer ser doador. Quando informamos em vida o nosso desejo de ser doador, a decisão da família fica mais tranquila. Chamamos atenção também quanto à imperativa necessidade de se buscar informações em fontes fidedignas, sites institucionais e até mesmo com a nossa CTPE, para que se tenha a autonomia necessária para a tomada essa decisão”, avisa Noemy.
 
“Muitos familiares ficam preocupados que o corpo fique mutilado após a retirada do órgão. É importante esclarecer que isso não ocorre, já que é feito um trabalho minucioso de reconstituição. Os procedimentos também são realizados de forma ágil para manter a funcionalidade do órgão e para que as famílias recebam o quanto antes o corpo do ente querido”, ressalta Noemy.
 
“A lista maior que nós temos são os que esperam por um rim, com 1.079 pessoas, que encontram na hemodiálise um apoio, um tratamento alternativo que os ajudam a esperar anos pelo transplante. Contudo, essa espera não acontece com os que esperam por um fígado ou coração, pois não há tratamento que os ajude a esperar tanto tempo. Para se ter uma dimensão disso, segundo o Sistema Nacional de Transplantes, a taxa de mortalidade em lista de espera pelo transplante renal é em média de 5%, e para o transplante de fígado e coração de 30%, ou seja, seis vezes mais”.
 
 
REDES SOCIAIS – Pelo Facebook, os potenciais doadores podem expor sua vontade de doar órgãos. Para se declarar, o usuário deve ir em "atualização de status" e clicar em "evento da vida". A opção "saúde e bem estar" vai aparecer e dentro dela, "doador de órgãos". Depois de clicar em doador, deve colocar a opção "guardar". Vale salientar que isso não substitui o aviso pessoalmente aos familiares.
 
DADOS – Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados 909 transplantes, sendo 498 de córnea e 177 de rim. A lista de espera conta com 1.298 pacientes, sendo 13 de coração, 87 de fígado, 1.079 de rim, 3 de rim/pâncreas, 33 de medula óssea, 83 de córnea.
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