Uma análise aprofundada sobre as lições aprendidas com a síndrome congênita do zika vírus (SCZ/microcefalia) no Estado é a proposta do painel de abertura do I Seminário de Experiências e Inovações da Vigilância em Saúde de Pernambuco, nesta quarta-feira (20/06), das 8h às 9h30, no Mar Hotel Conventions, Zona Sul do Recife. Com o tema 'Síndrome Congênita do Zika: panorama, lições aprendidas e cenários futuros', o debate reunirá importantes especialistas envolvidos diretamente nos esforços para acompanhar os primeiros casos de microcefalia atípicos entre o final do ano de 2015 e o início de 2016. Desde o início das notificações, foram confirmados 454 casos de microcefalia relacionados à infecção pelo vírus. A programação segue até esta quinta-feira (21/06) e mais detalhes sobre as discussões podem ser visualizados no site do evento: https://www.seminariovs.saude.pe.gov.br/.

Vão participar do debate o diretor geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech; a diretora do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PE), Roselene Hans; a neuropediatra  do Hospital Barão de Lucena (HBL), Vanessa Van der Linden; e Celina Turchi, médica epidemiologista e cientista da Fiocruz Pernambuco. O pesquisador Wanderson Kleber de Oliveira, da Fiocruz Bahia, será o moderador. 

Pernambuco foi pioneiro na identificação da mudança do padrão da microcefalia, o primeiro Estado a notificar os casos e a organizar um protocolo de atendimento, referência para todo o mundo. O Governo de Pernambuco ainda investiu R$ 3 milhões para pesquisas na área, financiando, entre outros, o Grupo de Pesquisa da Epidemia da Microcefalia (MERG) da Fiocruz Pernambuco, coordenado por Celina Turchi. "Nosso objetivo, além de historiar o cenário da síndrome em Pernambuco, é discutir o que já aprendemos com os acontecimentos e debater os principais desafios que ainda persistem", pontua a gerente de Monitoramento e Avaliação da Vigilância em Saúde da SES, Yluska Reis.

Na abertura do evento, na tarde de ontem (19/06), o  representante da Organização Panamericana de Saúde da Organização Mundial de Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Joaquín Molina, destacou a rapidez nas respostas aos primeiros casos atípicos de microcefalia no final de 2015, quando a relação com o zika vírus ainda não havia sido evidenciada. "Poucas vezes um novo agravo na saúde foi identificado com tanta rapidez como foi aqui em Pernambuco. No início de 2016, quando Margaret Chan (à epoca, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde) visitou o Estado para conferir de perto o trabalho dos profissionais envolvidos no tratamento dessas crianças, ainda havia muitas dúvidas sobre o assunto. E, mesmo assim, ficou impressionada com o nível de resposta que o Estado estava dando aos acontecimentos", relembrou. Para Molina, o Seminário assinala um marco na história científica do Estado. "Fazendo um novo balanço, Pernambuco está, hoje, num lugar proeminente na Ciência. Este evento é um novo marco para a vigilância em saúde".

A prevenção das arboviroses durante a gestação, a vigilância e o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya; e as estratégias nesse âmbito da XII Gerência Regional de Saúde (Geres), com sede em Goiana, também serão tema de painel na manhã da quarta, das 10h às 11h30.

Sífilis - Já à tarde, das 14h às 15h30, um dos painéis será sobre o aumento no registro de casos de sífilis em Pernambuco. No painel 'Sífilis: como podemos mudar essa realidade?' os especialistas discutirão aspectos sobre diagnóstico, tratamento, prevenção e controle dessa infecção sexualmente transmissível (IST). O secretário de saúde do Recife, Jailson Correia; a pesquisadora Fiocruz Pernambuco Ana Lúcia Vasconcelos; e a consultora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde, Juliana Uesono, são os debatedores do painel. Em 2017, o Estado registrou 3.160 casos de sífilis adquirida. Nas gestantes, no ano passado, foram 1.562 ocorrências; e de sífilis congênita (transmitia da mãe para o filho durante a gestação), 1.823 casos. 

DOENÇAS NEGLIGENCIADAS – O Sanar, programa pioneiro desenvolvido pelo Governo de Pernambuco, com o objetivo de reduzir ou eliminar doenças transmissíveis negligenciadas, a exemplo da tuberculose e da doença de Chagas, também terá destaque na programação do encontro, na manhã da quarta (20/06), das 8h às 9h30. A situação epidemiológica, perspectivas, avanços e desafios relacionados serão alguns dos fatores discutidos em painel científico. A coordenadora do Sanar, Marcella Abath; o especialista em Vigilância em Saúde do Instituto Sul-americano de Governo em Saúde (Isags-Unasur) Eduardo Hage; e a médica Maria de Fátima Lopes, especialista em saúde coletiva pelo Ministério da Saúde, são alguns dos convidados para discutir o tema.

Destinado a gestores e técnicos atuantes no âmbito da vigilância em saúde, o Seminário contará com mostras competitivas, que revelarão experiências exitosas em seis temáticas de vigilância em saúde, realizadas por profissionais das Regionais de Saúde e dos municípios pernambucanos. "A programação busca incentivar as boas práticas na área e estimular os profissionais da vigilância a enxergar suas capacidades e aperfeiçoarem o trabalho do ponto de vista criativo. Por isso, buscamos trazer temáticas atuais para estimular o debate", pontua a gerente de Monitoramento e Avaliação da Vigilância em Saúde da SES, Yluska Reis.

O psicólogo Rossandro Klinjey ministrará a palestra 'Aprendendo a mudar, quebrar velhos modelos para inovar', que encerra as atividades ligadas ao conteúdo científico do encontro na quinta-feira (21/06) às 10h. O último dia terá também cerimônia de premiação dos finalistas das Mostras Competitivas e o lançamento, às 14h, do Comitê Estadual Técnico Gestor da Hanseníase de Pernambuco.

Comitê gestor da hanseníase - A diretoria geral de controle de doenças e agravos lançará oficialmente no I Seminário de Experiências e Inovações da Vigilância em Saúde o Comitê Estadual Técnico Gestor da Hanseníase. A comissão buscará discutir os casos mais complexos da doença. Com o debate permanente, a expectativa do Programa de Controle da Hanseníase é expandir as discussões para todo o Estado.