Causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida através da picada do flebotomíneo (mosquito-palha) infectado, a leishmaniose é considerada uma doença endêmica em Pernambuco. Em 2020, para a leishmaniose visceral, o Estado registrou 106 casos novos, com a incidência de 1,1 caso por 100 mil habitantes. Nesse período, foram 13 óbitos da leishmaniose visceral, tipo que quando não tratado pode levar a óbito. Já em relação à leishmaniose tegumentar, forma cutânea da doença, foram registrados 142 casos no ano passado, com taxa de incidência de 2,1 casos por 100 mil habitantes. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) aproveita a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, mobilização que segue até o próximo domingo (15/08), para reforçar a importância da prevenção e diagnóstico precoce da doença.

"Tratam-se de duas doenças com capacidade de produzir formas clínicas graves ou até mesmo a morte, como na leishmaniose visceral. Por isso, a data é importante para alertar a sociedade sobre as doenças e disseminar informações sobre sinais e sintomas, formas de transmissão, diagnóstico, tratamento e, principalmente, as medidas de prevenção. Em Pernambuco, a leishmaniose visceral ocorre mais no Sertão e no Agreste, enquanto a tegumentar é registrada com maior frequência no Grande Recife e nas Zonas da Mata Sul e Norte", pontua a coordenadora de Vigilância dos Programas Estaduais de Leishmaniose Visceral, Esquistossomose e Geo-helmintíase, Mariana Nascimento.

A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos (que se alimentam de sangue) denominados flebotomíneos e popularmente chamados de "mosquito-palha" e "birigui". Na natureza, o parasita Leishmania pode se alojar em outros animais, chamados reservatórios, como lobos, raposas, coelhos e roedores. Nas zonas urbanas, os cães são o principal reservatório. Considerada primariamente uma zoonose, que afeta os animais, sobretudo os cães, só acomete o homem quando este entra acidentalmente no ciclo de transmissão do parasita. Somente as fêmeas são responsáveis pela picada em humanos.

Na leishmaniose visceral, os principais sintomas são a febre prolongada, anemia, indisposição, falta de apetite e perda de peso, palidez da pele e/ou das mucosas e inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço. Já na tegumentar, a doença se manifesta através de lesões avermelhadas na pele que aumentam de tamanho até formar uma ferida recoberta por crosta ou secreção purulenta. Nesses casos, também podem aparecer lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da boca.

Atualmente, o diagnóstico é feito, além do exame clínico e investigação epidemiológica, por meio de exames de sangue e biópsia na lesão. “Nós sempre reforçamos que, diante de qualquer suspeita de leishmaniose visceral ou tegumentar, a pessoa deve se dirigir a uma unidade de saúde mais próxima de sua residência para ser avaliado pelos profissionais da saúde. É importante destacar que tanto o diagnóstico como o tratamento são ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde”, ressalta a coordenadora. Pessoas com comorbidades, como os pacientes que vivem com HIV/Aids e os cardiopatas, devem ter cuidado redobrado com a doença, já que o diagnóstico pode ser confundido e a leishmaniose pode causar quadros mais graves nessa população.

Para evitar adoecimentos, a população precisa ficar atenta a cuidados de limpeza para evitar a proliferação do inseto transmissor da doença. Recolher entulhos e lixo periodicamente evitam a presença do vetor. Para evitar picadas, a recomendação é o uso de telas em portas e janelas e repelentes, principalmente quando estiver em áreas próximas a matas. Os cuidados com os cães, potenciais reservatórios do parasita, também são essenciais para evitar a transmissão da doença para os humanos.

NÚMEROS - Em relação à leishmaniose visceral, Pernambuco registrou no ano de 2016 um total de 106 casos, com 15 óbitos; em 2017, foram 156 casos e 19 óbitos; em 2018 foram registrados 172 casos da doença e 12 óbitos; em 2019 foram 99 casos e 15 óbitos. Já em relação às ocorrências da leishmaniose tegumentar no Estado, foram 187 casos no ano de 2016; 253 casos em 2017; 224 casos em 2018; e 210 casos no ano de 2019.

LEISHMANIOSE CANINA - Um dos principais reservatórios da doença, boa parte dos cães contaminados com a leishmaniose são assintomáticos. Quando têm sintomas, os animais podem apresentar, principalmente, emagrecimento, lesões na pele, perda de apetite, febre e crescimento exacerbado das unhas. Ao suspeitar da doença, os tutores devem acionar autoridades sanitárias das secretarias municipais de saúde.