Com o objetivo de compartilhar as experiências estaduais e avaliar a necessidade de parcerias de cooperação técnica, o Programa Estadual de Controle da Tuberculose da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebe, nestas quinta e sexta-feira (11.04 e 12.04), representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que tem sede em Washington (EUA), e do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), do Ministério da Saúde (MS). A comitiva está no Brasil para realizar uma série de visitas de monitoramento às atividades desenvolvidas pelo PNCT e programas estaduais pelo País e Pernambuco foi um dos Estados escolhidos para os encontros. No início da manhã desta quinta, o grupo visitou a sede da SES, no bairro do Bongi, no Recife, onde foram apresentados ao perfil epidemiológico da doença no Estado e às estratégias de enfrentamento.

No Estado, o grupo tem visitado unidades hospitalares referências para o tratamento da tuberculose e também de HIV/Aids, que tem como principal coinfecção a enfermidade. Também estão sendo analisados outros serviços que integram a assistência a esse tipo de paciente, como Ongs e outras secretarias de Estado. O grupo da Opas, composto pelos representantes Raimond Armengol, Babis Sismanidis, Claudia Llerena e Karen Rivas, segue no país até 17 de abril, participando de reuniões com o intuito de avaliar a situação epidemiológica da tuberculose no Brasil, assim como monitorar as atividades programáticas de prevenção e controle do PNCT, identificando lacunas e necessidades de cooperação técnica com os Estados. 

Em Pernambuco, em 2018, foram confirmados 5.026 casos da doença, um aumento de 9% quando comparado com os dados de 2015 (4.599). “Nós acreditamos que o aumento na detecção dos casos de tuberculose está relacionado à melhoria na qualidade da Vigilância da doença, já que os profissionais estão mais sensibilizados para diagnosticar oportunamente os casos”, reforçou a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, Cândida Ribeiro. Ainda de acordo com a gestora, o Estado vem reforçando a importância da prevenção e da detecção da doença com os municípios, além de realizar, periodicamente, cursos de manejo clínico dos pacientes para os profissionais de saúde.

ESTRATÉGIAS - Para 2019, o Estado pretende intensificar o assessoramento técnico para cinco municípios prioritários: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Abreu e Lima. Além do monitoramento constante das ocorrências e capacitações em unidades de saúde, o Programa Estadual irá auxiliar, quando necessário, na busca ativa de casos (sintomáticos respiratórios) e de pacientes que possam ter abandonado o tratamento; no acompanhamento de pacientes com coinfecção tuberculose/HIV ou casos especiais, como os com intolerância medicamentosa; na realização de mobilização social e de atividades educativas com populações susceptíveis.

O QUE É: A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Ela afeta, principalmente, os pulmões e é transmitida por vias aéreas, pela fala, tosse ou espirro da pessoa com a doença ativa no organismo. Tosse por mais de três semanas, que pode ser acompanhada por febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga, pode ser um indicativo da enfermidade. O diagnóstico é feito nos postos de saúde por meio de exames bacteriológicos, principalmente a baciloscopia, conhecida como exame do escarro.

Diagnóstico concluído, o próprio posto de saúde passa a disponibilizar, gratuitamente, as medicações que formam o esquema básico, formado por quatro fármacos: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Esse tratamento dura seis meses. “Seguindo corretamente as orientações da equipe de saúde, o paciente pode deixar de transmitir a doença com 15 dias”, reforça Cândida Ribeiro.

PREVENÇÃO: A principal maneira de prevenir a tuberculose em crianças é com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), ofertada gratuitamente no SUS (nas unidades básicas de saúde e maternidades). Essa vacina protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea, e deve ser dada ao nascer, ou, no máximo, antes de completarem 5 anos de idade (até 04 anos, 11 meses e 29 dias).

Outra maneira de prevenir a doença é a avaliação de contatos de pessoas com tuberculose, que permite identificar a infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis. Isso possibilita prevenir o desenvolvimento de tuberculose ativa. Em outras situações específicas, pessoas que são diagnosticadas com a infecção latente da tuberculose também têm indicação de receber tratamento para prevenir o adoecimento. Neste caso, é necessário procurar uma unidade de saúde para avaliação.

DADOS – PE

CASOS DE TUBERCULOSE

2015 – 4.599

2016 – 4.577

2017 - 4.985

2018 - 5.026

ÓBITOS – TUBERCULOSE

2015 - 423

2016 - 398

2017 - 435