Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados 511 transplantes de órgãos e tecidos em Pernambuco. O quantitativo é 52,8% menor que o mesmo período de 2019, quando foram feitos 1.082. A queda está diretamente relacionada à pandemia da Covid-19, já que, durante os meses mais críticos da doença, alguns programas passaram a fazer o procedimento apenas nos casos de urgência. Além disso, o contato com os familiares para autorização do ato ficou comprometido com a nova realidade do ambiente hospitalar.

Para reforçar com os pernambucanos a importância da doação de órgãos e tecidos e tirar dúvidas da população, a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) realiza, às 20h da segunda-feira (21/09), live pelo instagram.com/saude_pe com a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes, e coordenadora da Educação Permanente da CT-PE, Jackeline Diniz. Já na quarta (23/09) e quinta-feira (24/09), ocorre o Encontro Nordeste Transplantes 2020, evento on-line com acesso apenas para aqueles que fizerem a inscrição, gratuita. As ações celebram o Dia Nacional de Doação de Órgãos (27/09).

"Com a pandemia do novo coronavírus, as visitas aos pacientes e permanência dos acompanhantes nas unidades ficaram restritas, dificultando o contato das Organizações de Procura de Órgãos e das Comissões Intra-Hospitalares de Doação com os familiares. Estamos nos reinventando neste momento para fazer essa interlocução de forma remota, acolher e passar as informações necessárias para que o indivíduo tenha o direito de se tornar um doador garantido. Além disso, precisamos chamar a atenção da população para o tema constantemente, esclarecendo como funciona o processo da doação, autorização e, principalmente, combatendo as fake news e os mitos que rodeiam o tema. A doação de órgãos e tecidos no Brasil segue critérios rígidos para garantir a segurança de todos os envolvidos e, principalmente, para dar uma chance de uma qualidade melhor de vida aqueles que estão na fila de espera por um sim", afirma a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes.  

A doação de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas), além de tecidos (córnea), pode ser efetivada quando há a morte encefálica do potencial doador. Isso significa que o cérebro do paciente perdeu a capacidade de comandar as funções do corpo, como consequência de uma lesão conhecida e comprovada. O quadro é irreversível e diagnosticado e comprovado por uma série de exames, de acordo com norma do Conselho Federal de Medicina (CFM). "A morte encefálica é a morte do paciente. As funções vitais do corpo podem ser mantidas por aparelhos, inclusive para possibilitar a doação, mas não há nada mais que possa ser feito para reverter o quadro. Reforço que todo o processo segue protocolos rígidos e que são equiparados às regras dos principais países transplantadores", frisa Noemy. Ela ainda lembra que quando há a parada do coração, é possível doar as córneas.

"Pernambuco é referência no Norte e Nordeste quando se trata de transplantes. Nós temos importantes serviços que atendem não só os pernambucanos, mas pessoas de diversos Estados, mostrando que o SUS não tem fronteiras e está pronto para atender a todos. Apesar de estarmos vivendo a mais grave crise de saúde pública dos últimos cem anos, não podemos deixar esse tema tão importante de lado. O assunto precisa fazer parte das nossas conversas com os familiares para que eles saibam do nosso desejo de doar, ajudando e facilitando essa decisão. Esse é um ato nobre, que salva e muda a realidade daqueles que precisam da doação de um órgão ou tecido para ter uma nova vida", pontua o secretário estadual de Saúde, André Longo.

ATUALIZAÇÃO - O Encontro Nordeste Transplantes 2020, iniciativa dos 9 Estados da região para debater o tema, será on-line e ocorre entre as 18h e 22h em ambos os dias. Os profissionais de saúde e estudantes interessados precisam fazer a inscrição pelo www.eventoweb.me/abto. Entre os temas abordados, a situação do programa de transplantes brasileiro e as expectativas e o impacto da pandemia da Covid-19 na área. As palestras serão feitas por representantes do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e de programas de transplantes de Estados como Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

DADOS - Entre janeiro e agosto, foram realizados 511 transplantes em Pernambuco. Foram 208 de córnea (500 em 2019 || diminuição de 58%), 129 de medula óssea (165 em 2019 || - 22%), 101 de rim (255 em 2019 || - 60%), 47 de fígado (106 em 2019 (- 56%), 14 de coração (35 em 2019 || - 60%) e 1 de rim/pâncreas (6 em 2019 || - 83%), além de 11 de válvula cardíaca (15 em 2019 || - 27%).

Mesmo com a pandemia, os transplantes de fígado, coração e medula óssea foram mantidos. Já os de rim, em  uma decisão colegiada dos centros transplantadores e o Estado, foram temporariamente suspensos, já que o paciente tem um tratamento substitutivo (hemodiálise). Contudo, eles já foram retomados desde a segunda quinzena de julho. Os procedimentos eletivos de córnea continuam parados por decisão do Ministério da Saúde (casos de urgência continuaram sendo realizados).

Já a fila de espera conta com 1.455 pacientes, sendo 1.160 aguardando um rim, 130 fígado, 97 córnea, 39 medula óssea, 16 rim/pâncreas e 13 coração.