Os animais peçonhentos são aqueles que, por meio de um mecanismo de caça e defesa, são capazes de injetar nas suas presas substâncias tóxicas produzidas diretamente por glândulas especializadas. Esses animais agem por instinto. Ao se sentirem ameaçados, defendem-se. Eles estão presentes tanto em meios rurais, quanto urbanos e são responsáveis por inúmeros acidentes, em variadas regiões brasileiras, com índices crescentes, ano após ano. Cobras, aranhas, escorpiões, lacraias, taturanas, vespas, formigas, abelhas, marimbondos e algumas espécies de peixes são exemplos desse grupo.
 
De acordo com o Ministério da Saúde, a importância dos acidentes por animais peçonhentos para a saúde pública pode ser expressa por aproximadamente 100 mil acidentes e 200 óbitos registrados por ano decorrentes dos diferentes tipos de envenenamento. No período de 2009 a 2013, foram notificados em Pernambuco 38.188 acidentes, sendo 29.501 por escorpiões (77,2%), 4.048 por serpentes (10,6%), 3.234 por abelhas (8,5%), 511 por aranhas (1,3%) e 132 por lagartas (0,3%).
 
Ofidismo
 
Acidente ofídico ou ofidismo é o quadro de envenenamento decorrente da inoculação de toxinas através do aparelho inoculador (presas) de serpentes. No Brasil, as serpentes peçonhentas são representadas por quatro gêneros: Bothrops (jararaca); Crotalus (cascavel); Lachesis (surucucu) e Micrurus (coral verdadeira). O envenenamento ocorre quando a serpente consegue injetar o material produzido em suas glândulas veneníferas, o que significa que nem toda picada leva ao envenenamento. Há muitas espécies de serpentes que não possuem presas ou que, quando presentes, estão localizadas na porção posterior da boca, o que dificulta a injeção de veneno.
 
Escorpionismo
 
Acidente escorpiônico ou escorpionismo é o quadro de envenenamento provocado pela inoculação de veneno através do aparelho inoculador dos escorpiões. Os representantes de maior importância em saúde pública no Brasil são do gênero Tityus, com várias espécies descritas, sendo as principais: T. serrulatus (escorpião-amarelo); T. bahiensis (escorpião-marrom); T. stigmurus (escorpião amarelo do Nordeste) e T. paraensis (escorpião-preto da Amazônia). O acidente escorpiônico é o acidente por animal peçonhento de maior número de notificações no Brasil. A incidência em 2010 foi de 26,3 acidentes/100.000 habitantes e a letalidade foi de 0,2%. Em Pernambuco, no período de 2009 a 2013, foram notificados 29.501 acidentes por escorpiões sendo a grande maioria pelo T. stigmurus. A faixa etária com mais registros situa-se entre 20 e 49 anos, não havendo uma distinção significativa entre os sexos.
 
Araneismo
 
Acidentes causados por aranhas são comuns, porém a maior parte deles não apresenta repercussão clínica. Os gêneros de maior importância na saúde pública no Brasil são: Loxosceles (aranha-marrom), Phoneutria (aranha armadeira ou macaca) e Latrodectus (viúva-negra). Entre essas, a maior causadora de acidentes é a aranha marrom. Acidentes causados por outras aranhas podem ser comuns, porém sem relevância na saúde pública, e os principais grupos pertencem, principalmente, às aranhas que vivem nos domicílios ou em suas proximidades, como caranguejeiras e aranhas de grama ou jardim.
 
Vigilância e Controle de Animais Peçonhentos
Coordenação: Francisco Duarte
Técnica: Raylene Medeiros
Fone: (81) 3184.0221

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