Na tarde dessa quinta-feira (25/11), foi inaugurado o primeiro Banco Público de Cordão Umbilical e Placentário do Estado, no Hemocentro de Pernambuco (Hemope). O setor pode armazenar até 3,6 mil doações, e todo esse material ficará disponível para qualquer brasileiro que precise de transplante de medula óssea. “É importante que esse serviço seja mantido pelo poder público, garantindo que qualquer paciente tenha acesso, diferente do que ocorre com os bancos privados”, ressaltou o secretário-executivo de coordenação geral da SES, Jorge Vieira.

O evento contou com a participação do vice-governador, João Lyra, do diretor do presidente da Fundação Hemope, Divaldo Sampaio, e de representantes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

Segundo o coordenador da Rede BrasilCord, Luíz Fernando Bouzas, "o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) também possui um banco de dados, mas o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placenta dispensa a necessidade de convocar o doador, pois as células-tronco já ficam disponíveis no laboratório". O material é coletado imediatamente após o parto, e levado ao laboratório para análise de qualidade. Durante esse processo, é identificada a presença de doenças, o que evita que o paciente de transplante receba material contaminado.

O Hemope está capacitando enfermeiros para fazer a coleta desse material, que normalmente teria o lixo como destino, e sobre a melhor forma de abordar e sensibilizar as mães quanto à importância dessa doação. O Imip foi a primeira maternidade a firmar parceria com o banco de doações. O laboratório começa a funcionar já no primeiro trimestre de 2011, com uma equipe de sete funcionários.

COMPATIBILIDADE – Estima-se que em apenas 30% dos casos são encontrados doadores compatíveis entre os familiares. Com o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placenta, as chances de encontrar um doador aumentam em 60%. Esse material beneficiará paciente de linfomas, leucemia, entre outras doenças.

TECNOLOGIA – As amostras de sangue coletados do cordão umbilical têm aproximadamente 150 ml, e, depois de processadas, ocupam apenas 25 mml. Os técnicos do laboratório separam hemácias e plasma das células-troncos, e estas são armazenadas. Esse material é congelado em tanques de nitrogênio líquido a -190º; o que garante a boa qualidade das células por até 30 anos. Outra vantagem desse sistema é a de evitar a perda das doações em caso de queda de energia elétrica.

Os dados coletados no Hemope são enviados à rede nacional, a Renacord, possibilitando que seja encontrado um doador compatível para pacientes de qualquer parte do País. O laboratório conta ainda com um sistema de exaustor, que protege os funcionários contra qualquer oscilação de oxigênio na sala. Cerca de R$ 4 milhões foram investidos no setor, fruto de um convênio com o BNDES.

REDE – O banco do Hemope é o segundo do Nordeste e o 11º do País. Para completar a rede, outros dois serão implantados em Minas Gerais e Paraná. Os Estados Unidos, que também adotaram esse sistema, começaram sua rede em 2006, o Brasil, em 2004.