O Hospital da Restauração (HR) agora tem nova direção. Hoje (07/01), às 8h, ocorreu a cerimônia de transmissão dos cargos, quando o cirurgião Miguel Arcanjo dos Santos Júnior assumiu a função de Diretor Geral do HR, substituindo José Alves Bezerra Neto, que irá ocupar a diretoria do Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru. O cargo de Gerente Médico, que era exercido por Helder Correia, passou para o também cirurgião João Veiga, e a Gerência da Emergência será comandada por Roberto Natanael, que passa a ocupar o lugar de Nivaldo Sena. Os demais cargos de Gerência ainda não foram definidos.

O evento ocorreu no auditório do hospital, com a presença do secretário de Saúde, Antonio Carlos Figueira, e dos diretores dos hospitais Barão de Lucena, Getúlio Vargas, Agamenon Magalhães e Miguel Arraes, entre outras autoridades. “Esta é minha primeira semana como secretário e eu estou feliz de estar aqui, no HR, este patrimônio de Pernambuco. Sem a Restauração não se explica a história da saúde pública em nosso Estado, e eu me comprometo a visitar este espaço com freqüência, para me somar às pessoas que aqui atuam, como numa trincheira de guerra, servindo à população”, afirmou Figueira, na ocasião.

REGRESSO À CASA - Os três nomeados conhecem a realidade do HR por dentro, embora Miguel Arcanjo e João Veiga estivessem desligados da unidade hospitalar.  Além de cirurgião com ênfase em gastroenterologia, com mestrado e doutorado em cirurgia geral, Miguel Arcanjo dos Santos Júnior é também professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde ensina disciplinas ligadas à cirurgia do trauma e do trato gastrointestinal. Atuou no HR de 1988 a 2004, inicialmente como residente e, depois, como plantonista em cirurgia. Desde 1999, vinha coordenando e administrando a Enfermaria de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas da UFPE.  “Aceitei o desafio de dirigir o HR com uma emoção muito grande. Creio que será preciso muito trabalho e muita logística para solucionar questões tanto internas como externas, a fim de reestruturar as duas emergências e prestar um atendimento cada vez melhor à população”, afirmou.

Ao assumir o cargo de Gerente Médico, o cirurgião geral João Veiga regressa a uma instituição onde atuou por mais de 20 anos, somando os períodos a partir de 1985, como residente e profissional. Foi consultor do Ministério da Saúde entre 2002 e 2003, integrando a equipe de gestão do QualiSus (programa de qualificação na atenção à saúde do SUS), e atuou secretário de Saúde em Olinda, na gestão de Luciana Santos. No HR, entre 1998 e 1999, chefiou o Núcleo de Assistência à Saúde (NAS), cargo extinto no novo organograma da Secretaria Estadual de Saúde, por meio do qual coordenava a Divisão Médica do hospital. “Voltamos com uma missão de resgate, para buscar disciplinar os dois maiores problemas do HR, que são os recursos humanos e a consolidação do perfil do hospital. É preciso reorganizar questões em todos os níveis, para criar uma identidade bem demarcada, atendendo aos casos de trauma e alta complexidade”, avaliou.

TRANSIÇÃO TRANQUILA - Segundo o ex-diretor-geral José Bezerra, que esteve à frente do cargo por um ano e nove meses, “apesar de não ter realizado todas as mudanças e melhorias que gostaríamos em nossa gestão, temos a satisfação de poder falar de algumas conquistas”. Entre esses avanços, ele cita a implantação da Emergência Clínica, inaugurada em junho de 2010; a construção da Unidade de Suporte Avançado à Neurocirurgia, garantindo a realização de cirurgias eletivas de alta complexidade como retirada de aneurismas e tumores, além de lesões na coluna; e a implantação de um novo modelo de gestão, possibilitando a descentralização das diversas atividades administrativas. Bezerra foi nomeado diretor do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, sua cidade natal. “Fui o primeiro diretor do HRA, que atende a cerca de 32 municípios e foi  inaugurado pelo governador Miguel Arraes, há mais de 20 anos. Tenho uma identificação muito forte com o hospital, e sei que o secretário Antonio Figueira  está empenhado em dar condições para consolidar ainda mais a assistência à saúde na região.  Será um desafio muito prazeroso regressar ao HGA. Ninguém se perde no caminho de volta”, afirma.

Helder Correia avalia que os seis anos em que esteve à frente do cargo foram “um período de muito trabalho, onde nos dedicamos à estruturação do HR, para que ele se torne cada vez mais adaptado à nova realidade da saúde, dentro de uma rede hierarquizada e de acordo com os perfis definidos para cada unidade hospitalar”. Entre as várias conquistas no período, cita a criação de protocolos de atendimento nas emergências de neurologia e neurocirurgia, agilizando o processo; a implantação do sistema de classificação de risco na Emergência Clínica; e a realização de visitas técnicas nas emergências, através de equipes multidisciplinares que atuam como uma espécie de comissão interna de qualidade e vêm possibilitando maior rapidez no processo de altas e transferências, além de identificação de problemas administrativos. Em sua opinião, apesar de ainda existirem aspectos a melhorar, o hospital passou por uma enorme reestruturação física e profissional ao longo da última gestão, aumentando sua rotatividade e capacidade de atendimento e realizando quase 80% a mais de atendimentos diários. Sem vínculo com o HR, Correia irá dedicar-se, principalmente, às suas atividades como chefe da UTI do Hospital Português.