“Para melhorar a qualidade de vida do idoso, é preciso melhorar todos os serviços de assistência”. A afirmação é da gerente de saúde do Homem e do Idoso da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Lucyana Moreira, feita durante o III Encontro Estadual de Saúde do Idoso. Realizado nesta manhã (25/11), no Orange Praia Hotel, em Itamaracá, o evento contou com o lançamento de um perfil sócio-epidemiológico dessa população.
 
Foram entrevistados três mil homens e mulheres acima de 60 anos de 60 municípios, sendo 11 as sedes das Gerências Regionais de Saúde (Geres). “Tivemos o cuidado de fazer a seleção aleatória das cidades, dos idosos e das unidades de Saúde da Família, para termos um viés fidedigno para a pesquisa”, esclareceu a pesquisadora Marília Siqueira Campos, uma das participantes da pesquisa, realizada pelo Instituto de Apoio a Universidade de Pernambuco (Iaupe), por meio de convênio entre o Ministério da Saúde (MS) e a SES.
 
“Com esse levantamento, queremos melhorar a assistência  à saúde, favorecendo a melhor qualidade de vida dessa população. Temos em vista a ampliação da capacidade funcional, ou seja, a preservação da independência e autonomia da pessoa idosa”, pontuou Lucyana Moreira. A gerente ainda levantou a necessidade de estabelecer diretrizes para os trabalhos, o que seria deliberado durante o encontro com os participantes, das secretarias municipais de Saúde e de órgãos e organizações não governamentais que trabalham com saúde do idoso.
 
SÓCIO-ECONÔMICO – Dos 3 mil participantes do perfil, 71% são do gênero feminino (2.130), o que mostra a alta mortalidade dos homens ainda na idade adulta, principalmente por acidentes e pela falta de cuidado com a saúde. Entre os entrevistados, 64,1% mora no interior pernambucano (1.923), 43% morava com cônjuge (1.290), 49% sabe ler e escrever (1.470) e 46% são analfabetos (1.380).
 
Quanto aos dados de renda e da classe social a que pertencem os idosos pesquisados, constatou-se um predomínio daqueles pertencentes à classe social D/E (65%), e apenas 3% nas classes A e B. A renda própria faz parte da realidade de 95% dos idosos, sendo 96% proveniente da aposentadoria. Em relação à manutenção do lar, 98,5% disseram que contribuem com as despesas domiciliares e 83% destinam toda a sua renda para essa finalidade.

 Sobre o estilo de vida, foi constatado que 16% e 9%, respectivamente, são viciados em tabaco e álcool. A prática religiosa engloba 73% dos entrevistados. Apenas 21% praticam atividade física regularmente e 39% dizem ter na televisão o lazer preferido. “É preciso pensar a televisão como um importante meio de comunicação de massa, que deve ser usada para repassar informações aos idosos. O sucesso da campanha de vacinação mostra isso”, contou Marília Siqueira.

SAÚDE – Apenas 450 pessoas (15%) afirmaram não portar qualquer tipo de doença. Das enfermidades referidas, 70% deles são acometidos por hipertensão e mais de 20%, por diabetes. A depressão, distúrbio psiquiátrico mais comum na terceira idade, foi ressaltada apenas por 5,4% do público. Contudo, na pontuação na Escala de Depressão Geriátrica, mais da metade (54,7%) apresentam os sintomas característicos. 

Os distúrbios auditivos foram citados por 28% dos entrevistados, sendo que, destes, apenas 1% usava aparelho de correção auditiva. Já no quesito visão, 82% possuem deficiência, e 72% usam lentes corretoras. Entre os idosos investigados, ainda foi observado que 50% apresentavam falta total de dentes, e apenas 4% possuíam de 28 a 33 unidades dentárias. 

SERVIÇOS – Foi observado que 13% dos idosos possuem plano de saúde, 28% tomam um medicamento de uso contínuo e 27% fazem uso de 3 ou mais medicamentos diariamente. Observou-se que 55,5% dos idosos recebem medicação gratuitamente do Governo, e a grande maioria (92%) os obtêm na própria unidade de saúde. 

Ao serem questionados sobre qual o primeiro serviço que procuram quando adoecem, 44% responderam que procuram o hospital local e 33%, a unidade de saúde. Quase toda a população (98%) conhece o posto de saúde de sua comunidade e a grande maioria disse ser fácil o acesso ao mesmo. O tempo em dias entre a marcação e a consulta médica foi menor nas cidades interioranas (10 dias) em comparação com o Recife, que teve um tempo médio de 18 dias. Neste estudo, as quedas ocorridas no último ano foram referidas por 29% da amostra, sendo que mais da metade caiu uma vez e cerca de 12% caíram mais de quatro vezes. Quando há casos de urgência, 60% procuram os serviços do próprio município. “Este fato reforça a necessidade de manter tais serviços com atendimento adequado às necessidades desta população”, aponta a pesquisa.

MASCULINO E FEMININO – Foi observado que cerca de 50% dos homens idosos estão fazendo prevenção de câncer de próstata. Os dados são maiores entre as classes A e B. Já 70% das idosas fazem exame ginecológico preventivo. Mesmo assim, 60% das mulheres do interior nunca realizaram um exame de mamografia ou ultrassonografia. 

DADOS – Segundo o IBGE (2007), o Brasil possui mais de 8,8 milhões de idosos, sendo 506.842 em Pernambuco. Atualmente, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, estima-se a proporção de uma para cinco em todo o mundo, e de uma para três nos países desenvolvidos (IBGE/2002).