Até o final de 2010, Pernambuco deve somar 30 mil usuários de crack, droga que vem sendo tratada como epidemia pelo poder público no Brasil. Vários ações estão sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado para conter o efeito devastador do entorpecente, e, a partir deste mês, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) lança uma nova ferramenta para acolher os usuários, onde eles estiverem. São os Consultórios de Rua, dispositivos móveis que serão ofertados aos municípios de Recife, Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Paulista e Jaboatão dos Guararapes. Os cinco veículos foram entregues pelo secretário Estadual de Saúde, Frederico Amancio, nesta manhã, na sede da SES, no Bongi.
 
Derivado da cocaína, o crack tem alto poder de dependência e provoca sintomas de depressão e perseguição no usuário, que, geralmente, acaba exposto a outros riscos sociais e de violência. Os profissionais dos Consultórios de Rua serão responsáveis por chegar às áreas consideradas de risco em cada município participante e realizar o trabalho de prevenção e redução de danos, acolhendo o cidadão, criando vínculo e diagnosticando qual o melhor serviço para referenciar aquele usuário. A expectativa é atender, mensalmente, 50 pessoas por Consultório.
 
“Esse é um trabalho inovador, porque ele sai da regra. O paciente, normalmente, busca a assistência. No caso do Consultório de Rua, estamos indo ao encontro dos usuários, indo nos pontos de consumo para prestar o apoio. Isso só é possível porque estamos firmando a parceria com os municípios, pois só vamos avançar se trabalharmos efetivamente em conjunto”, afirmou Frederico Amancio.
 
AÇÃO – No primeiro momento, a equipe do serviço precisa criar um vínculo com os pacientes, fazer atendimentos básicos e a partir das necessidades de cada usuário, acionar a rede: que pode ser uma visita do Programa Saúde da Família, consulta com algum especialista ou o próprio tratamento da dependência em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
 
A SES ficará responsável por monitorar as ações, qualificar as equipes e disponibilizar os veículos com motorista e combustível para os municípios. Cabe aos municípios a gestão das atividades propostas pelo Consultório de Rua e a organização dos recursos humanos, formado, pelo menos, por um profissional de nível superior e de dois a quatro técnicos por veículo.
 
“Cada um fará sua programação, de acordo com a realidade e as necessidades do local. É preciso saber onde há aglomerações de pessoas em situação de maior vulnerabilidade, maior consumo, se isso ocorre à noite ou nos finais de semana. Cada município terá um mês para fazer as adequações e depois de três meses haverá uma primeira avaliação dos planos”, reforçou a gerente de Atenção à Saúde Mental da SES Marcela Lucena.
 
Além dos cinco Consultórios de Rua vinculados à SES, Pernambuco conta com outros nove geridos pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (três em Floresta, três em Bom Jardim e três em Recife), todos previstos pelo Plano Estadual de Enfrentamento ao Crack.
 
DROGA – O crack é derivado das sobras do refino da cocaína e, geralmente, é vendido em pedras. A situação de vulnerabilidade social de muitos jovens e de moradores de rua também contribui para a disseminação da droga. Embora a substância seja consumida predominantemente por essa parcela da população, qualquer pessoa pode se tornar um usuário dela. 
 
Geralmente, quando os efeitos da droga diminuem no organismo da pessoa, ela sente sintomas de depressão e tem sensação de perseguição. Outros sintomas comuns são desnutrição, rachadura nos lábios, sangramento na gengiva e corrosão dos dentes; tosse, lesões respiratórias e maior risco para contrair o vírus HIV e hepatites, segundo informações do Ministério da Saúde.