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Dia Mundial do Sono: Dormir mal pode aumentar risco de doenças cardiovasculares e demências, alerta neurologista do HPS

Hospital Pelopidas_2_Divulgação (2)

Dados do Ministério da Saúde mostram que 1 a cada 5 adultos dorme menos do que o recomendado. Situação afeta diversos fatores biológicos

“Dormir bem, viver melhor” é o tema da Semana do Sono 2026, campanha idealizada pela Academia Brasileira do Sono (ABS) e que busca mobilizar a sociedade entre esta sexta-feira (13/3) e a próxima quinta-feira (19/3). De acordo com o neurologista Igor Figueiredo, que atua no Hospital Pelópidas Silveira (HPS), o alerta é claro: sono não é luxo, é necessidade biológica essencial. 

Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), 20,2% dos brasileiros adultos dormem menos de seis horas por noite, número considerado insuficiente para a manutenção da saúde e do bem-estar. Outro dado alarmante é que 31,7% dos adultos relatam sintomas de insônia. As informações fizeram parte, pela primeira vez, do Vigitel, que teve os dados de 2025 divulgados este ano. 

“Uma boa noite de sono não só rejuvenesce o corpo, mas também afeta profundamente nossas emoções. Quando estamos privados de sono, nosso humor, paciência e até nossa empatia podem ser severamente afetados”, explica o neurologista Igor Figueiredo, especialista em distúrbio do sono.

Ele destaca que o sono é um processo ativo e organizado em etapas: vigília, sono leve, sono profundo e sono REM, cada uma com funções específicas. É durante o sono que ocorre a reparação dos tecidos e dos músculos, a consolidação da memória, a produção hormonal e a restauração do sistema imunológico.

Privação de sono e risco de doenças

Além do impacto imediato na disposição e no humor, a privação crônica de sono pode trazer consequências mais graves. “Uma rotina desregulada é fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e obesidade”, alerta o neurologista, que é preceptor da residência médica em neurologia do Hospital Pelópidas Silveira.

Segundo ele, o estilo de vida moderno, marcado por excesso de telas, jornadas prolongadas de trabalho e sobrecarga emocional, tem contribuído para o aumento das queixas relacionadas ao sono.

Quantidade também importa

Para adultos, o recomendado é dormir entre 7 e 9 horas por noite. Idosos devem manter entre 7 e 8 horas, enquanto crianças podem necessitar de até 14 horas, dependendo da faixa etária. Dormir menos do que o necessário impede que o cérebro complete seus ciclos adequadamente, o que pode provocar irritabilidade, sonolência excessiva, dificuldade de concentração e aprendizado, prejuízo da memória e redução da criatividade.

Por outro lado, dormir além do recomendado pode indicar que o organismo está tentando compensar um sono fragmentado ou de baixa qualidade.

Distúrbios do sono exigem atenção

Nem sempre o problema está apenas na rotina. Em alguns casos, pode haver distúrbios que exigem avaliação médica. Insônia, apneia do sono, ronco persistente e síndrome das pernas inquietas são algumas das situações que indicam a necessidade de investigação profissional.

O ronco, caracterizado pela vibração dos tecidos da garganta durante a passagem do ar, não deve ser visto apenas como um incômodo. Ele pode ser sinal de obstrução das vias aéreas e, em determinados casos, estar associado à apneia do sono, condição marcada por pausas na respiração durante a noite.

A insônia é caracterizada pela dificuldade para iniciar ou manter o sono e pode estar relacionada à ansiedade, depressão ou uso de determinados medicamentos.

Já a síndrome das pernas inquietas provoca uma necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis, como formigamento, fisgadas ou queimação, principalmente no período noturno.

“Todas essas situações devem ser avaliadas por um profissional, para que o tratamento mais adequado, medicamentoso ou não, seja indicado ao paciente”, reforça Igor Figueiredo.

Higiene do sono: dicas para dormir melhor

  • Rotina

Estabeleça horários regulares para dormir e acordar, até mesmo aos finais de semana, para manter uma sincronia no relógio biológico.

  • Tempo

Um adulto precisa dormir entre 7 e 9 horas por noite. Já a pessoa idosa entre 7 e 8 horas. Dormir menos não dá tempo das funções serem realizadas. Já dormir além do recomendado pode significar que o cérebro está tentando compensar uma falta de qualidade.

  • Ambiente confortável

Um quarto sem ruídos perturbadores, com as luzes apagadas e uma temperatura adequada auxilia na qualidade do sono.

  • Cochilos

Cochilar, no máximo, 20 minutos após o almoço. Cochilos longos ou em horários inadequados também irão prejudicar a noite de sono.

  • Sem telas

Não use dispositivos eletrônicos, como celular, computador e televisão, pelo menos uma hora antes de dormir, para que a mente vá sendo preparada para a noite de sono.

  • Cuidado com estimulantes

Limite a ingestão de café até, no máximo, 14h. Para além do café, também é importante ficar atendo ao consumo de bebidas e alimentos que contêm cafeína em sua composição.

Uma dieta balanceada, com frutas, vegetais e grãos, também auxilia no processo do sono.

  • Bebidas alcoólicas

Evite o consumo de álcool no período da noite.

  • Relaxe

Incorpore práticas relaxantes, como meditação e/ou leitura, para preparar corpo e mente para um sono reparador.

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