Iniciativa realizada pela Secretaria Estadual de Saúde, por meio da Central de Transplantes, aconteceu neste domingo (27/09) para reforçar que um gesto de solidariedade pode representar uma nova chance de vida
Para quem espera por um transplante, cada dia carrega a expectativa de uma ligação que pode mudar tudo. Do outro lado dessa espera, existe um gesto de solidariedade capaz de transformar uma vida: a decisão de doar órgãos e tecidos. É para ampliar essa conversa com a sociedade e incentivar uma cultura de doação em Pernambuco que a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), por meio da Central de Transplantes, realizou, neste domingo (27/09), a terceira Caminhada do Setembro Verde, no Recife, em comemoração do Dia Nacional do Doador de Órgão. Em 2026, até o mês de agosto, foram realizados 1.379 transplantes no estado (dados detalhados abaixo)
A mobilização integra a programação estadual do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. A iniciativa reuniu profissionais de saúde, pacientes transplantados, pessoas que aguardam por um transplante, familiares de doadores e a população em geral.
Um único doador pode beneficiar diferentes pacientes, possibilitando a realização de transplantes de órgãos e tecidos e oferecendo a quem está na fila uma nova perspectiva de futuro.
Para a Central de Transplantes, ampliar o diálogo sobre o tema é fundamental para que mais pessoas compreendam a importância de manifestar em vida o desejo de ser doador e, principalmente, de conversar com seus familiares sobre essa decisão.

“Convidados a sociedade, amigos, transplantados, transplantadores e pessoas que acreditam na causa da doação de órgãos para transplantes para nos unirmos para chamar atenção e estimular que as pessoas conversem sobre doação de órgãos: parar, pensar e depois decidir. Se você, no momento de sua partida, acha que vale a pena ajudar outras pessoas, acha que vale a pena salvar a vida de outras pessoas, então você tem que informar à sua família que você é doador”, afirmou o coordenador da Central de Transplantes de Pernambuco, André Bezerra.
A importância da doação também pode ser compreendida a partir das histórias de quem vivencia o transplante de perto. Para pacientes que já receberam um órgão, a doação representa a possibilidade de retomar planos e viver momentos que, em determinados períodos, pareciam distantes.
“Sempre disse à minha família e aos meus amigos que era doadora de órgãos, mas nunca passou pela minha cabeça que seria eu a precisar de um órgão transplantado”. Com essas palavras, Agaliane Balbino reforça o quanto a vida de uma pessoa pode mudar a partir do momento que recebe a notícia que precisará de um órgão novo, no caso dela: o coração.
Após 1 ano e seis meses de espera, após um diagnóstico de febre reumática aos 47 anos, o procedimento finalmente aconteceu no dia 11/07/2017. “Nesse período de espera, me mudei de Timbaúba para o Recife e também fui acionada algumas vezes para o transplante, mas recebemos negativa da família potencial doadora ou o órgão não era compatível. A possibilidade do transplante meu deu a oportunidade de ver minha primeira neta crescer e novos netos chegarem. Agradeço muito a família que disse ‘sim’ pra mim. Sem eles, eu que pela internação perdi a formatura do ABC da minha neta, pude ver a formatura do ensino médio dela, onde tive a oportunidade de levar o anel da solenidade e hoje a vejo estudar na faculdade”, completou.
Elisangela Gomes e Ailton José da Silva são pais de Maria Luiza, de 11 anos, e aguardam ansiosamente a oportunidade de um coração compatível com a necessidade da filha deles. “Nossa filha está internada há três meses e foi diagnosticada com uma cardiopatia dilatada, onde o ventrículo esquerdo dela está aumentado. Ela aguarda por um transplante há quase 2 anos, o que nos causa ansiedade, mas também esperança e fé”, contou Elisangela.

Atualmente, 3.985 pessoas aguardam por um transplante em Pernambuco. “Quando o telefone toca é uma mistura de sentimentos: esperança e também medo”, confessou Ailton. Internada no Recife, a menina já teve uma notícia de um possível doador, mas o órgão foi incompatível com sua condição. “Antes de Malu precisar de um órgão, eu sabia muito pouco sobre doação de órgãos e passei a me informar sobre o tema e entender que é extremamente seguro e que uma pessoa pode salvar até oito vidas”, finalizou a mãe de Maria Luiza.
A decisão de doar órgãos é tomada pela família no momento em que ocorre a morte encefálica do potencial doador. Por isso, além de manifestar o desejo de doar, conversar com familiares sobre essa vontade é uma atitude fundamental. Em um momento de dor, a família poderá saber qual era a decisão do seu ente querido e autorizar a doação.
DADOS – De janeiro a agosto de 2026, foram feitos 1.379 transplantes, contra 1.276 no mesmo período de 2025, representando um crescimento de 8,1%. Entre os procedimentos, o transplante de córnea apresentou o maior crescimento, passando de 614 procedimentos em 2025 para 746 em 2026, uma alta de 21,5%.
No período, foram realizados 304 transplantes de rim, 225 de medula óssea, 74 de fígado, 17 de coração e oito de valva, além de dois transplantes de rim/pâncreas, dois de fígado/rim e um de coração/rim.