A epilepsia é uma doença neurológica crônica e caracterizada por atividades excessivas e anormais no cérebro, comprometendo o funcionamento da rede de neurônios. Ela se manifesta a partir de crises epilépticas, que podem provocar contrações musculares involuntárias, salivação excessiva, dificuldade na fala, confusão mental e até mesmo perda de consciência (desmaio). Não é raro e afeta mais de 60 milhões de pessoas no mundo.
Para conscientizar e combater o preconceito, desde 2008 é comemorado em 26 de março o Dia Roxo, criado por uma menina canadense de, à época, 9 anos e já atribuída com a doença. O Hospital Pelópidas Silveira (HPS), referência estadual em neurocirurgia e neurologia, adere aos dados e, nesse dia, realizará o projeto “Sala de Espera” sobre o tema, momento para levar informações e tirar dúvidas dos pacientes e acompanhantes enquanto eles aguardam atendimento no ambulatório.
A neurologista Moema Peisino, que atua no HPS e é preceptora da residência médica em neurologia da unidade, explica que a epilepsia afeta pessoas de qualquer faixa etária e sexo. Pode ser causada por doenças congênitas, tumores malignos, AVC, demências e outras doenças neurodegenerativas.
Um especialista pontua que o diagnóstico da doença é clínico e que se confirma quando há a ocorrência de mais de duas crises epilépticas em um intervalo de 24 horas, quando se encontra uma causa de recorrência de crises ou quando há uma síndrome epiléptica bem definida. “A gente pode ter epilepsia e todos os exames realizados como normais, seja de imagem, seja encefalograma. Por isso a importância de uma consulta minuciosa com um especialista para que o diagnóstico seja fechado”, diz Moema.
Cerca de 70% das pessoas com diagnóstico de epilepsia fornecem controle dos sintomas da doença com medicamentos, evitando as crises. “Ou seja, a resposta ao tratamento farmacológico é bem elevada. Nos outros 30%, temos que avaliar outras estratégias, como procedimento cirúrgico, implantação de dispositivos neuromoduladores e até mesmo dietas específicas para controlar os sintomas”, destaca o neurologista do Hospital Pelópidas Silveira.
Como o objetivo do Dia Roxo é tratar dos estigmas da epilepsia, Moema reforça que a epilepsia “não é transmissível e a maioria das pessoas, com o tratamento correto, vão ter uma vida normal, trabalhando, sendo felizes.
Crise: Quando o paciente está em crise epiléptica, Moema Peisino orienta que deve se proteger a cabeça da pessoa, para evitar machucados, além de deixar-la de lado, para que não haja engasgos ou broncoaspiração, ou seja, que líquidos cheguem aos pulmões. Não é indicado inserir objetos na boca do paciente. É recomendado, ainda, marcar o tempo de duração do evento. Em média, uma crise dura dois minutos. Em casos de episódios longos, é importante chamar o Samu ou levar uma pessoa para um serviço de saúde.
Perfil: O HPS está localizado às margens da BR-232, no bairro do Curado, no Recife. É o primeiro serviço com perfil exclusivo de cardiologia, neurocirurgia e neurologia do SUS no Brasil. Oferece cuidados especializados a pacientes com infarto, doenças cardíacas, aneurismas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), patologias da coluna, tumores cerebrais, entre outras condições graves. Desde sua inauguração, em dezembro de 2011, os atendimentos de emergência são regulamentados e direcionados por meio da Central de Regulação de Leitos do Estado, Samu ou Corpo de Bombeiros.
O hospital conta com uma infraestrutura adequada para exames especializados, como cateterismo, tomografia e ultrassonografia, além de leitos de UTI e ambulatórios para egressos, garantindo um atendimento eficaz ao usuário do SUS. O hospital integra a rede estadual de saúde, sendo gerido pela Fundação de Gestão Hospitalar Martiniano Fernandes (FGH).