De acordo com orientação do Ministério da Saúde, seguida pela SES-PE, pessoas que fizeram uso da PrEP oral ou da PEP devem aguardar quatro meses após a última dose para realizar a doação de sangue
O uso das profilaxias pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP) ao HIV, estratégias reconhecidas por sua segurança e eficácia na prevenção da infecção, exige atenção específica quando o assunto é doação de sangue. A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) segue as orientações da nota técnica recente do Ministério da Saúde, que orienta profissionais e usuários sobre a necessidade de pausa temporária para doação após o uso dessas medicações, como medida de proteção à segurança transfusional.
De acordo com o documento, pessoas que fizeram uso da PrEP oral ou da PEP devem aguardar quatro meses após a última dose para realizar a doação de sangue. No caso da PrEP injetável de longa duração, o período de inaptidão é maior: 24 meses após a última aplicação.
“A PEP e PrEP são ferramentas fundamentais da prevenção combinada e têm papel decisivo na redução da transmissão do HIV. No entanto, como destacado pelo Ministério da Saúde, o uso desses medicamentos pode interferir na detecção laboratorial do vírus, especialmente na triagem de doadores de sangue, por isso tem-se a inaptidão temporária para doação de sangue. Não se trata de restringir acesso ou criar barreiras, mas sim de garantir que continuemos avançando na prevenção, sem comprometer a segurança das pessoas que precisam de uma transfusão de sangue ou hemoderivados”, destacou a gerente do Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais, Grazielle Vasconcelos.
A recomendação se deve ao fato de que os antirretrovirais utilizados nessas profilaxias podem interferir nos exames laboratoriais usados na triagem de doadores. Em situações raras, essa interferência pode prolongar a chamada janela diagnóstica do HIV, elevando o risco de resultados falso-negativos e, consequentemente, de transmissão transfusional.
O documento reforça ainda que a inaptidão é temporária e não está relacionada a qualquer julgamento sobre o uso das profilaxias, que seguem sendo fundamentais no enfrentamento ao HIV no país. A orientação aos usuários deve ocorrer de forma clara, educativa e acolhedora, explicando que a medida tem como único objetivo garantir a segurança de quem recebe o sangue.
“Queremos enfatizar que a PrEP e a PEP permanecem estratégias seguras, eficazes e indispensáveis. O que precisamos é fortalecer o diálogo qualificado com nossos usuários, orientando com acolhimento e clareza sobre os períodos de espera recomendados. Dessa forma, promovemos simultaneamente a proteção individual, a prevenção combinada e a segurança transfusional no estado de Pernambuco”, explicou Grazielle Vasconcelos.
Ainda segundo a Nota Técnica, informações sobre o uso de PrEP e PEP passarão a integrar a triagem clínica nos serviços de hemoterapia. Além disso, materiais educativos sobre o tema serão disponibilizados no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom), para apoio aos profissionais de saúde e aos usuários do SUS.
O QUE É PREP E PEP? – A PrEP consiste no uso diário de medicamentos por pessoas que não vivem com HIV, mas que têm maior risco de infecção, reduzindo de forma significativa a chance de contrair o vírus antes de uma possível exposição. Já a PEP é indicada para situações de urgência, quando há risco de exposição ao HIV, como relações sexuais desprotegidas ou acidentes com material biológico, devendo ser iniciada em até 72 horas após a exposição e utilizada por 28 dias. Ambas são seguras, eficazes e fazem parte das políticas públicas de prevenção combinada. Mas vale ressaltar que ambas só protegem do HIV, e a camisinha segue sendo proteção contra as demais ISTs.
Confira as notas técnicas:


