Infectologista explica por que pessoas com doenças crônicas podem ter maior risco de complicações e quais sinais indicam necessidade de atendimento.
Infecções que parecem simples podem evoluir para quadros graves, especialmente entre pessoas que já convivem com doenças crônicas. Na Unidade de Pronto Atendimento Professor Fernando Figueira, localizada em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife, o infectologista e coordenador médico da unidade, Ewerton Soares, explica quais fatores podem aumentar o risco de complicações e quais sinais indicam que uma infecção pode estar evoluindo para sepse.
Pessoas com diabetes, câncer, doenças cardíacas ou renais podem apresentar maior risco de complicações porque essas condições interferem na capacidade do organismo de responder ao estresse provocado por uma infecção. “Essas pessoas geralmente têm uma reserva menor para enfrentar o estresse provocado pela infecção. Isso não significa que toda pessoa com doença crônica desenvolverá uma complicação, mas o risco é maior e a margem de segurança pode ser menor”, explica Ewerton.
Infecção urinária, pneumonia, infecção de pele e infecção abdominal podem evoluir para sepse quando a resposta do organismo à infecção provoca disfunção dos próprios órgãos. Entre os fatores que podem favorecer o agravamento estão a demora para reconhecer ou tratar a infecção, diabetes descompensada, câncer ou imunossupressão, doenças cardíacas, renais ou hepáticas e desidratação.
Falta de ar ou respiração muito rápida, fraqueza intensa, queda da pressão, tontura ou desmaio, redução importante da urina, confusão mental, sonolência incomum e piora rápida do estado geral são sinais que exigem atenção. Idosos, pacientes com câncer e pessoas imunossuprimidas podem apresentar infecções graves mesmo sem febre.
“Diante de uma infecção, é importante observar se a pessoa está apresentando sinais de que algum órgão não está funcionando bem. Confusão mental, falta de ar ou respiração muito rápida, pressão baixa, redução importante da quantidade de urina, pele fria, pálida, arroxeada ou manchada e mal-estar muito intenso são sinais de alerta. A presença desses sinais exige atendimento imediato”, orienta o infectologista.
Na avaliação de pacientes com suspeita de infecção, é necessário considerar não apenas o possível foco infeccioso, mas também sinais de comprometimento dos órgãos. Pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio, nível de consciência e glicemia estão entre os parâmetros observados. Conforme o quadro, podem ser solicitados exames laboratoriais e de imagem.
A identificação da sepse também exige acompanhamento da evolução clínica. Segundo Ewerton, instrumentos de alerta podem auxiliar no rastreamento, mas não substituem a avaliação médica. “O paciente pode inicialmente parecer estável e piorar ao longo das horas”, explica. Por isso, a avaliação pode ser repetida conforme a evolução do quadro, já que nenhum exame ou marcador isolado é capaz de confirmar ou excluir a sepse.