No Dia Mundial do Pulmão, unidade, que faz parte da Rede Estadual de Saúde, chama atenção para sintomas que costumam ser naturalizados e podem indicar doenças respiratórias
A tosse é um sintoma comum e, muitas vezes, passageiro. Mas quando persiste por semanas ou aparece acompanhada de outros sinais, pode indicar que é hora de procurar avaliação médica. No Dia Mundial do Pulmão, lembrado em 25 de setembro, a Unidade Pública de Atenção Especializada Dr. Erick Alves Ribeiro e Silva, localizada em Salgueiro, Sertão do Estado, alerta para a importância de não ignorar uma tosse prolongada, principalmente quando há falta de ar, sangue no escarro ou na saliva, perda de peso sem explicação ou rouquidão.
Segundo o pneumologista e coordenador médico da UPAE Salgueiro, Rafael Ângelo, uma tosse com duração superior a três semanas já merece investigação. “A tosse é um mecanismo de defesa do organismo, mas não deve ser normalizada quando persiste. A partir de três semanas, já é importante investigar a causa. Quando ela vem acompanhada de falta de ar, sangue, perda de peso inexplicável ou rouquidão, a avaliação deve ser ainda mais rápida, porque esses sinais podem estar relacionados a diferentes doenças respiratórias”, explica.
A tosse com duração entre três e oito semanas é classificada como subaguda e, acima de oito semanas, como crônica. Entre as causas mais frequentes da tosse crônica estão o refluxo gastroesofágico, o tabagismo e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de problemas nas vias aéreas superiores, como rinite e sinusite.
Para o pneumologista, outro fator que pode atrasar a busca por atendimento é a chamada normalização dos sintomas, quando a pessoa se acostuma gradualmente com a tosse ou a falta de ar e passa a não perceber esses sinais como um problema. “Isso acontece principalmente quando a piora é lenta. A pessoa começa a andar mais devagar, evita subir escadas ou deixa de fazer atividades físicas e atribui essas mudanças à idade ou à falta de condicionamento. Só que, por trás dessa adaptação, pode existir uma doença respiratória que ainda não foi diagnosticada”, alerta Rafael.
De acordo com o especialista, adiar a investigação pode atrasar o diagnóstico e o tratamento de doenças como asma, pneumonia, tuberculose, Covid-19 e até câncer de pulmão em estágios iniciais. Para reduzir os riscos, a recomendação é não fumar, evitar o fumo passivo e a exposição intensa a poluentes, manter os ambientes limpos, praticar atividade física regularmente, manter a hidratação e o calendário vacinal atualizado.