A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) realizou, nesta quarta-feira (12/11), o 2º Simpósio Pernambucano de Cuidados Paliativos. O evento reuniu, no Cais do Sertão, profissionais de saúde da Região Metropolitana do Recife (RMR) e de municípios como Caruaru e Garanhuns, que puderam trocar experiências e se capacitar sobre essa área tão sensível da medicina.
A abertura ficou a cargo da secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, com a palestra “Cuidados paliativos, afinal, o que são?”. Médica geriatra e paliativista, Zilda Cavalcanti tem uma longa relação com a prática e já foi coordenadora da Residência de Medicina Paliativa do IMIP. “Quando a gente fala de cuidado paliativo, a gente fala de vida, de cuidar de quem está vivo até o último minuto, de integralidade do cuidado, de um trabalho de equipe multiprofissional e de uma comunicação empática e compassiva, além do controle absoluto dos sintomas”, explicou a secretária estadual de Saúde.
A gestora ressalta ainda a importância de se acabar com o preconceito que existe com o paliativismo. “Cuidados paliativos são uma reposta técnica e ética ao sofrimento evitável”, concluiu.
Pernambuco está implantando a Política Estadual de Cuidados Paliativos, em consonância com a Política Nacional. A representante do Ministério da Saúde (MS), Gabriela Hidalgo, durante mesa redonda que apresentou durante o evento, chamou atenção para a criação de um núcleo nacional, onde se discute a política que já existe e os próximos passos para se avançar para um cuidado paliativo especializado.
A programação incluiu ainda a entrega de uma menção honrosa a representantes dos serviços de cuidados paliativos de Pernambuco, que existem no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Hospital do Câncer de Pernambuco (HCP) e no Hospital Alfa.
LANÇAMENTO DE CURSO – O 2º Simpósio Pernambucano de Cuidados Paliativos marcou, também, o lançamento do Curso de Atualização em Cuidados Paliativos da SES-PE. Com carga horária de 80 horas e gratuito, o curso é voltado a profissionais de diversas áreas da saúde, que terão disponíveis aulas dadas por paliativistas, geriatras, pediatras e profissionais com mestrado e doutorado da Secretaria. As inscrições serão feitas a partir de janeiro de 2026 e terão certificados emitidos pela Escola de Governo em Saúde Pública de Pernambuco (ESPPE).
CAPACITAÇÃO – O Simpósio trouxe durante todo o dia uma programação focada em capacitar os profissionais de saúde de todo o Estado nos conceitos e práticas do paliativismo. Entre os temas, “Os Desafios na Desospitalização de Crianças Crônicas Complexas”, “O Cuidado com a Família de Pacientes, “O Controle de Sintomas”, “Dilemas Bioéticos” e “A Comunicação como Tecnologia do Cuidado”.

O encerramento ficou por conta da geriatra e paliativista Mirella Rebello, referência em cuidados paliativos em Pernambuco. Ela foi a responsável por coordenar, em 2009, o primeiro serviço de cuidado paliativo no Estado, no IMIP. Ela também foi responsável por montar a primeira residência médica em medicina paliativa em território pernambucano, em 2013, que foi a primeira residência multiprofissional da área do Brasil.
Mirella Rabello explicou que a cultura do paliativismo é relativamente recente e que muitos profissionais da saúde estão entrando em contato e aprendendo sobre ele, além das famílias de pacientes. Portanto, é necessário se colocar em pauta o assunto e capacitar os profissionais de saúde, para que possam incluir os cuidados paliativos na sua prática diária. “A gente já avançou muito, hoje tem vários serviços, várias pessoas formadas, de todas as áreas da saúde. Não adianta formar médicos paliativistas sem ter enfermeiros e outros profissionais”, afirmou a pioneira.