Um gesto que começa com um cadastro pode terminar em um encontro capaz de mudar duas vidas para sempre. Foi com esse sentimento que a Fundação Hemope celebrou, nesta terça-feira (15), o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, em uma solenidade realizada no Auditório Luiz Gonzaga, no Recife.
A manhã foi marcada por emoção, reconhecimento e histórias de solidariedade. Entre os momentos mais especiais, 25 doadores que já realizaram a doação de medula óssea para transplante receberam certificados como forma de agradecimento pela disponibilidade de ajudar alguém que, muitas vezes, eles sequer conheciam.
Para a presidente da Fundação Hemope, Raquel Santana, homenagear esses voluntários é também reconhecer toda a rede que torna possível o encontro entre doador e paciente. “Este é um momento muito especial para o Hemope, porque nos permite olhar para aqueles que já disseram sim à vida e reconhecer a importância desse gesto. Cada doador homenageado representa uma história que ganhou uma nova possibilidade”, destacou.
A solenidade reuniu ainda profissionais, familiares, autoridades e instituições que ajudam a manter viva a mobilização pela doação de medula óssea. Participaram a responsável pela área de Medula Óssea do Hemope, Josiete Tavares; o superintendente estadual dos Correios, Ricardo Santos; e, representando a Secretaria de Saúde de Pernambuco, André Bezerra, coordenador da Central Estadual de Transplantes.
A programação também reconheceu as instituições parceiras Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), Centro Universitário Brasileiro (UNIBRA Recife) e Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional (SMS EFICAZ), que contribuem para levar informação e incentivar novos cadastros.

Selos que contam uma história
A celebração também marcou o lançamento dos Selos Especiais dos Correios alusivos à causa da doação de medula óssea. A emissão reúne três selos que representam a diversidade genética brasileira, a importância do REDOME e a solidariedade que envolve a doação.
Uma fita de DNA percorre as três peças, fazendo referência à ciência por trás da compatibilidade entre doadores e pacientes. Mais do que uma emissão especial, os selos ajudam a levar a mensagem de que, em algum lugar, pode existir uma pessoa capaz de ser a compatibilidade que outra tanto espera.
“Mais do que uma data de conscientização, esta celebração é uma oportunidade de agradecer a quem já faz parte do REDOME e também de lembrar que essa corrente precisa continuar crescendo. Cada novo cadastro pode representar uma nova possibilidade para um paciente que espera por um transplante”, afirmou Josiete Tavares.
André Bezerra destacou a importância do trabalho conjunto para que mais pessoas conheçam a causa e estejam dispostas a ajudar. “A doação de medula óssea representa uma oportunidade concreta de transformar a vida de quem aguarda por um transplante. O trabalho integrado entre o Hemope, a Central de Transplantes e os demais parceiros é fundamental para ampliar o cadastro e fortalecer essa rede de solidariedade”, afirmou.
Uma rede que precisa continuar crescendo
Pernambuco possui atualmente mais de 190 mil pessoas cadastradas como possíveis doadoras de medula óssea. No Brasil, o REDOME reúne mais de 6 milhões de voluntários. Em todo o mundo, segundo a World Marrow Donor Association (WMDA), são mais de 44,1 milhões de pessoas registradas.
Mas, por trás de cada número, existe uma possibilidade. A compatibilidade entre doador e paciente depende de características genéticas e, por isso, quanto maior e mais diversificado for o cadastro, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível.
O REDOME também está integrado a registros internacionais, permitindo que a busca por um possível doador ultrapasse fronteiras e alcance voluntários de diferentes países.
Como se cadastrar
Para se tornar um possível doador de medula óssea pelo Hemope, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e não apresentar doenças infecciosas ou incapacitantes.
No Hemope Recife, o cadastro é realizado de segunda a sábado, das 8h às 16h, mediante apresentação de documento oficial com foto. Antes da inscrição, o voluntário recebe orientações sobre o processo em uma breve palestra.
O cadastro leva poucos minutos. Para quem está esperando por um transplante, porém, ele pode significar muito mais: a chance de um dia encontrar alguém compatível e ganhar a oportunidade de escrever um novo capítulo da própria história.