A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o UNICEF, realiza nesta terça-feira (19/05), no Centro de Formação Paulo Freire, na Madalena, a Oficina da Primeira Infância Antirracista na Atenção Primária à Saúde, a PIA na APS. A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional voltada a apoiar estados e municípios na incorporação de práticas antirracistas no dia a dia dos serviços de saúde.
O objetivo é qualificar o cuidado oferecido à população negra e enfrentar as desigualdades raciais que ainda marcam o acesso e a qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
A oficina se estrutura em três eixos: formação de profissionais com perspectiva antirracista, articulação entre os diferentes níveis de gestão e construção de planos de ação adaptados à realidade de cada território. Na prática, isso significa identificar as potencialidades e fragilidades locais para que as equipes consigam planejar intervenções mais efetivas.
A ideia é transformar a discussão sobre racismo estrutural em ações concretas dentro das unidades de saúde, desde o acolhimento até o acompanhamento de gestantes, crianças e famílias.
“Nos da secretaria reconhecemos o racismo como um determinante social da saúde que impacta o acesso aos serviços, a qualidade do cuidado e o desenvolvimento integral das crianças desde o início da vida. Essa oficina reflete um papel estratégico na indução de políticas públicas, na qualificação da rede de atenção e no apoio técnico aos municípios, fortalecendo ações intersetoriais com a educação, a assistência social e a cultura. Promovendo a equidade, reduzir desigualdades e assegurar que todas as crianças tenham acesso a um cuidado integral, humanizado e livre de qualquer forma de discriminação”, disse o Secretário Executivo de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP), Renan Freitas.
Em Pernambuco, 26 municípios foram contemplados para participar: Recife, Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Garanhuns, Lajedo, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Carpina, Surubim, Escada, Palmares, Goiana, Timbaúba, Arcoverde, Buíque, Afogados da Ingazeira, Tabira, São José do Belmonte, Serra Talhada, Araripina, Trindade, Belém do São Francisco, Salgueiro, Petrolina e Santa Maria da Boa Vista.
A programação contemplou mesas de debate com profissionais do Ministério da Saúde, A UNICEF e uma especialista em saúde da criança e das coordenações de Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Recife trazendo a experiências de boas práticas antirracistas. Em seguida, os participantes foram divididos em subgrupos para discutir a realidade de seus municípios e elaborar planos de ação na atenção primária à saúde de forma territorializada para a construção de uma primeira infância antirracista.
A proposta é que cada cidade saia da oficina com um desenho inicial de estratégias que possam ser implementadas na APS, fortalecendo a equidade racial dentro do SUS e reduzindo iniquidades históricas no cuidado à saúde da população negra. A realização da oficina no Recife reforça o papel do estado como polo de formação e articulação regional, ampliando o alcance da política nacional para o interior e a Região Metropolitana.
“Receber a Oficina Técnica da Primeira Infância Antirracista em Pernambuco é construir uma saúde equânime e construir uma infância antirracista e isso fala diretamente com a saúde. A população negra precisa de visibilidade já que compõe 65% da população do nosso Estado. Isso só justifica que não somos a minoria e sim a maioria da população do nosso Estado e as crianças precisam de um cuidado adequado.” Monica Simplicio, coordenadora estadual de Atenção à Saúde da População Negra da SES-PE.