Até 2014, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) pretende reduzir ou eliminar as doenças transmissíveis negligenciadas que apresentam indicadores inaceitáveis. São, ao todo, sete doenças negligenciadas, enfermidades tropicais endêmicas que atingem a população de baixa renda das cidades pernambucanas. As ações fazem parte do Programa Sanar, lançado no primeiro semestre de 2011 e que pretende implantar atividades em 108 municípios prioritários. Pernambuco é o primeiro estado brasileiro a desenvolver um programa específico para enfrentamento dessas doenças.
Serão investidos R$ 5,6 milhões para vigilância epidemiológica, fortalecimento e capacitação das equipes de atenção básica para a identificação e manejo clínico adequado, a ampliação do diagnóstico e a melhora do acesso a tratamentos e medicamentos.
As doenças que fazem parte do programa de enfrentamento estadual são: tracoma, doença de Chagas, hanseníase, filariose, esquistossomose, helmintíase e tuberculose. O combate está sendo feito pela SES em parceria com os municípios, Secretaria Estadual de Educação, Ministério da Saúde (MS), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Organização Mundial de Saúde (OMS), entre outras instituições.
CONCEITO – As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas, além de serem consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Elas também apresentam indicadores inaceitáveis e investimentos reduzidos em pesquisas, produção de medicamentos e no controle.
No mundo, já existe um plano de luta contra as doenças tropicais negligenciadas, que possui metas em consonância com o plano estadual. “A grande mudança é que, com essa ação em Pernambuco, ninguém poderá dizer que essas doenças estão esquecidas pelo poder público”, destacou o ministro Alexandre Padilha durante o lançamento do Programa.
Dados sobre Doenças Negligenciadas
Tracoma – doença infecciosa ocular que acomete a conjuntiva e a córnea, em decorrência de repetidas infecções. Ela pode provocar cicatrizes que levam à formação de entrópio (pálpebra com a margem virada para dentro do olho) e triquíase (cílios em posição defeituosa nas bordas da pálpebra, tocando o globo ocular), e alterações na córnea que pode causar até a cegueira. No último inquérito realizado pela SES, em 2006, 42 municípios pernambucanos foram declarados com alta prevalência da doença.
Doença de Chagas – provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença pode se apresentar na fase aguda ou somente na forma crônica, com complicações cardíacas ou digestivas. A alteração cardíaca é a forma mais importante de limitação do portador da doença e a principal causa de morte. Já as manifestações mais comuns da forma digestiva são caracterizadas por alterações no trato digestivo (no esôfago e no cólon). Em 2009, foram registrados, no Estado, 18 casos, contra 35 em 2008.
Hanseníase – a doença é representada por manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com alteração da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Os sintomas estão relacionados ao comprometimento do nervo, podendo afetar a força muscular, a marcha (caminhar), entre outras, e até provocar deformidades físicas. Pernambuco ocupa a 3ª colocação em número de casos. Em 2010, a SES contabilizou um total de 2.728 casos de hanseníase. Desse total, 259 foram notificados em menores de 15 anos. Em 2009, os novos casos somaram 3.204, sendo que 322 foram diagnosticados em menores de 15 anos.
Filariose – provoca dilatação dos vasos linfáticos, podem ocasionar linfedema de membros, e/ou mamas no caso das mulheres, e hidrocele nos homens. Erisipelas freqüentes e quilúria são outras possíveis manifestações. Pode ainda haver a evolução para formas graves e incapacitantes de elefantíase. No Brasil, a Região Metropolitana do Recife é considerada o principal foco da doença, sendo a maior área de transmissibilidade. De acordo com o último balanço da doença, Pernambuco registrou, em 2009, um total de 69 casos positivos de filariose, de um universo de 133.897 exames realizados, o que representa um percentual de positividade de 0,05%.
Esquistossomose – doença transmissível, parasitária, causada por vermes trematódeos do gênero Schistosoma. Nos casos mais graves da fase crônica, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água. Só em 2010 foram registrados, em Pernambuco, 8.282 casos positivos de esquistossomose, com 186 óbitos.
Helmintíase – as parasitoses intestinais representam a doença mais comum do globo terrestre. Os principais sintomas são cólicas abdominais, vômitos, anemia, perda de peso, apendicite aguda, fraqueza e cansaço. O quadro clínico está diretamente relacionado com a carga parasitária e com o estado nutricional do hospedeiro. Em 2010, foram registrados, em Pernambuco, um total de 12.342 casos da doença, sendo 7.783 casos de ascaridíase, 699 de ancilostomíase e 3.860 de trichuríase.
Tuberculose – doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta, principalmente, os pulmões, mas, também pode atingir os ossos, rins, olhos, e meninges. A transmissão é direta, de pessoa para pessoa, mas somente 5% a 10% dos infectados pelo Bacilo de Koch adquirem a doença. Os casos graves apresentam dificuldade na respiração; eliminação de grande quantidade de sangue, colapso do pulmão e acumulo de pus na pleura (membrana que reveste o pulmão). Pernambuco possui uma média de 4.000 novos casos da doença por ano e 200 óbitos, ocupando o 4º lugar em incidência (números de casos novos) e o 2º lugar em mortalidade entre os Estados brasileiros. Em 2011, até o final de março, já foram confirmados 505 casos de tuberculose. Em 2010, foram 4.050 casos, e em 2009, 4.244. Em relação ao número de óbitos, foram 167 em 2009; 98 em 2010; e 4 em 2011. Além disso, o Estado tem o maior percentual de abandono do tratamento (11%).
Coordenação do Projeto Sanar
Coodenador: Alexandre Menezes
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