A Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde (SEVS) vem desenvolvendo desde 2011, por meio do Pacto pela Saúde, o Programa Sanar, que foi instituído pelo Decreto nº 39.497, de 11 de junho de 2013, e incluído formalmente como Superintendência no organograma da SES. Pernambuco foi o primeiro Estado brasileiro a desenvolver um programa específico para enfrentamento dessas doenças.
 
O Programa Sanar tem como objetivo reduzir ou eliminar enquanto problema de saúde pública as seguintes doenças transmissíveis negligenciadas: tuberculose, hanseníase, esquistossomose, doença de Chagas, leishmaniose, filariose, geo-helmintíases e tracoma. Destaca-se a intensificação das ações de vigilância e controle da tuberculose e hanseníase, integradas à sífilis e focadas nas equipes de saúde da família, visando a detecção precoce e tratamento adequado das pessoas.
 
As estratégias definidas pelo Programa Sanar considerou o planejamento estratégico da Secretaria Estadual de Saúde e o fortalecimento da capacidade de resposta das Regionais e municípios. Dessa forma, as ações serão abordadas de forma transversal e priorizando a integração com a gestão municipal do SUS, buscando concentrar esforços na atenção primária e na oferta do tratamento integral e oportuno.
           
Para quadriênio de 2015-2018, foram definidos como prioritários 141 municípios prioritários, 33 municípios a mais do que no quadriênio de 2011 a 2014.  Quanto ao financiamento das ações, além do recurso empreendido nas atividades realizadas pela própria SES, de cerca de R$ 5 milhões para o quadriênio, foram repassados 4 milhões para os 141 municípios prioritários realizarem as ações em 2016.
 
Doenças prioritárias para o quadriênio 2015 - 2018:  doença de Chagas, Hanseníase, Filariose, Esquistossomose, Helmintíase, Tuberculose e Leishmaniose visceral e o Tracoma .
 
Doenças trabalhadas pelo Programa SANAR
 
Tracoma: Doença infecciosa ocular que acomete a conjuntiva e a córnea, em decorrência de repetidas infecções. Ela pode provocar cicatrizes que levam à formação de entrópio (pálpebra com a margem virada para dentro do olho) e triquíase (cílios em posição defeituosa nas bordas da pálpebra, tocando o globo ocular), e alterações na córnea que podem causar cegueira. No último inquérito realizado pelo Ministério da Saúde (MS), em 2006, 22 municípios pernambucanos foram declarados com alta prevalência da doença. O foco do trabalho do SANAR para o tracoma foram crianças em idade escolar de 01 a 15 anos, do ensino fundamental das escolas públicas municipais. Resultados 2011-2014: Ao todo foram trabalhados 62 municípios, 104.917 pessoas examinadas, detectadas e tratadas 4.178 pessoas. Ações de educação em saúde (Brigada Estudantil) em 178 escolas com mais de 15 mil alunos alcançados. Prevalência nos 22 municípios prioritários em 2010 = 7,6% e 2014 = 2,5%
 
Doença de Chagas: provocada pelo protozoário Trypanossoma cruzi, a doença pode se apresentar na fase aguda ou somente na forma crônica, com complicações cardíacas ou digestivas. A alteração cardíaca é a forma mais importante de limitação do portador da doença e a principal causa de morte. Já as manifestações mais comuns da forma digestiva são caracterizadas por alterações no trato digestivo (no esôfago e no cólon). As ações do SANAR foram desenvolvidas em 31 municípios, com prioridade para o controle do barbeiro (inseto transmissor) nas áreas de maior risco. Também foi realizado importante investimento em diagnóstico laboratorial e assistência dos portadores da doença. Resultado 2011-2014: Foram 183.500 residências inspecionadas, 6.700 vetores (barbeiros) eliminados, o diagnóstico laboratorial (sorologia) foi implantado na 12 regiões de saúde; 760 médicos e enfermeiros foram capacitados na rede básica de saúde. Infestação vetorial em 2010 = 10,2% ; 2014 = 9,4%
 
Hanseníase: A doença é representada por manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com alteração da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Os sintomas estão relacionados ao comprometimento do nervo, podendo afetar a força muscular, a marcha (caminhar), entre outras, e até provocar deformidades físicas. Pernambuco ocupa a 3ª colocação em números de casos.  O trabalho do SANAR que foi realizado em 25 municípios prioritários, procurou integrar as ações de hanseníase com as da tuberculose, voltando o trabalho para a atenção primária da saúde, além da referência de média complexidade e no diagnóstico laboratorial. Resultado 2011-2014:  Foram notificados em 2014, um total de 2.799 casos de hanseníase no estado, sendo 265 em menores de 15 anos. Em 2010 foram examinados 63%dos contatos de todos os casos em 2014 esse percentual aumentou para 75% tendo sido alcançada a meta para esse indicador.
 
Tuberculose: Doença curável e com tratamento gratuito, afeta, principalmente, os pulmões, existindo também na forma extrapulmonar: ganglionar periférica, pleural, cutânea, oftálmica, renal, meníngea (membranas que envolvem o cérebro), entre outras, sendo transmitida pelo bacilo de Koch. Os principais sintomas são: tosse, febre vespertina, sudorese noturna, falta de apetite e emagrecimento. Pernambuco ocupa o 3º lugar em incidência (números de casos novos/100.00) e o 2º lugar em mortalidade e 6º lugar em abandono, tendo sua capital Recife o 4º lugar em incidência e 2º em mortalidade. O trabalho do SANAR para a tuberculose foi integrado às ações de hanseníase também voltado para a atenção primária da saúde, além da referência de média complexidade e no diagnóstico laboratorial. Ao todo foram trabalhados 50 municípios prioritários. Resultado 2011-2014:  Em 2010 o percentual de casos de tuberculose que abandonou o tratamento foi de 13,9% e 2014 esse percentual foi reduzido para 4,9% tendo sido alcançada a meta para esse indicador.
 
Esquistossomose: Doença parasitária, causada pelo verme Schistossoma mansoni. Nos casos mais graves pode ocorrer aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água ou outras condições menos freqüentes como hipertensão pulmonar grave e paralisia de membros  inferiores. Resultado 2011-2014:  As ações de controle para a esquistossomose pelo SANAR foram realizadas em 40 cidades prioritárias, e foram baseadas nas estratégias do tratamento coletivo em áreas com positividade acima de 10% (localidades hiperendêmicas) e no tratamento seletivo em áreas de menos positividade. Além disso, foram trabalhadas estratégias de definição de uma rede de hospitais de referência para os casos graves, estruturação dos municípios para o diagnóstico laboratorial e educação popular em saúde. A prevalência da esquistossomose em 2010 apresentava uma média de 17% nas localidades hiperendêmicas passando para 4,4% em 2014. Quanto à morbidade e mortalidade por esta doença, em 2010 foram registrados em Pernambuco, 10.889 casos positivos de esquistossomose, representado 6,10% de positividade, com 205 óbitos. Em 2014 esses números reduziram para aproximadamente 7.000 casos positivos e 175 óbitos.
 
Geo-helmintíases: Também denominadas de verminoses transmitidas pelo contato com solo. São parasitoses intestinais que representam as doenças mais comuns do globo terrestre. na maioria das infecções causadas por esses vermes os principais sintomas são cólicas abdominais, vômitos, anemia, perda de peso, apendicite aguda, fraqueza e cansaço. O quadro clínico está diretamente relacionado com a carga parasitária e com o estado nutricional do hospedeiro.. Resultado 2011-2014:  As ações de controle realizadas pelo Programa SANAR foram desenvolvidas em 40 municípios, em conjunto com a esquistossomose. Tendo como incremento o tratamento coletivo em escolas de ensino fundamental durante as campanhas nacional em conjunto com a hanseníase desenvolvidas pelo Ministério da Saúde. Foram tratados em dois anos de ações 304.582 escolares na campanha de 2013 e 386.577 escolares tratados na campanha de 2014. A prevalência das geo-helmintíases nos municípios prioritários era de 33,2% em 2010, passando para 11,6 % em 2014. Tendo sido alcançado a meta. Em 2010 foram registrados em Pernambuco, um total de 18.394 casos da doença. Passando para cerca de 9.000 em 2014.
 
Filariose: Trata-se de uma verminose que atinge os vasos linfáticos, na maioria das pessoas infectadas não aparecem sintomas, mas pode ocasionar deformidades em pelo menos 1% das pessoas portadoras. Os principais sinais desses casos mais graves são: edema de membros e/ou mamas, no caso das mulheres, erisipela e hidrocele nos homens podendo ocorrer urina leitosa. No Brasil, a Região Metropolitana do Recife, especificamente os municípios de Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes, é considerada o único foco ativo da doença. Contudo já em fase de eliminação enquanto problema de saúde pública. De acordo com o ultimo balanço da doença, Pernambuco registrou, 2009, um total de 69 casos positivos de filariose, de um universo de 137.079 exames realizados, o que representa um percentual de positividade de 0,074% e em 2014 apenas 01 caso foi confirmado. As ações do Programa SANAR nesses 04 municípios prioritários foram essencialmente desenvolvidas a partir da  Pesquisa de Verificação da Interrupção da doença nas áreas com histórico de transmissão da doença que realizaram tratamento coletivo durante cinco anos ou mais. também foram desenvolvidas ações de educação em saúde, treinamento de profissionais e exames em diferentes municípios além dos endêmicos para busca de possíveis novos focos da doença. Resultado 2011-2014: Foram testadas mais de 3000 crianças em 96 escolas nas antigas áreas de risco com apenas 1 caso positivo. Mais de 18 ml pessoas examinadas em 18 cidades da região metropolitana sem nenhum caso encontrado. Em 2010 a prevalência da doença foi de 0,03% e em 2014 esteve em 0,002%.
 
Leishmaniose visceral: A Leishmaniose visceral (LV), também conhecida por calazar, é uma doença parasitária transmitida pela picada de insetos flebotomíneos hematófagos. Possui como reservatórios principais o cão e a raposa, podendo acometer o homem quando este entra em contato com o ciclo de transmissão do parasito. Apresenta altas incidência e letalidade, principalmente em indivíduos não tratados e em crianças desnutridas. É também considerada emergente em indivíduos portadores da infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). Em Pernambuco, a LV é historicamente endêmica, inicialmente com caráter rural e recentemente em expansão para áreas urbanas. No período de 2010 a 2014 foram notificados 1.003 casos, sendo 473 casos confirmados. Nesse mesmo período foram registrados 35 óbitos. A incidência da doença apresentou pouca variação no período de 2010-2013 (média de 0,8 casos/100.000hab.), porém em 2014 houve um aumento para 1,9 casos/100.000hab. Já em relação à letalidade houve maior variação no mesmo período, atingido seu pico em 2010 (11,6%) e o menor valor em 2011 (3,4%). Em 2014 a taxa de letalidade foi de 7%.
  
Programa Sanar
Superintendente: Alexandre Menezes
Telefones: (81) 3184.0186 / 0216/ 0220 / 0618

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